Eu levantei da cama porque eu precisava escrever. Às vezes é assim, a gente precisa escrever. Às vezes a gente quer passar o resto da noite escrevendo. Mas eu não posso, a gente não pode. A gente não pode passar a noite escrevendo porque ninguém vai passar a noite lendo.
Eu sou uma coisa no singular. Assim, singular. Você também é. Somos bichos singulares que vezenquando se juntam num plural. Porque é bom assim, é melhor que estar separado. Às vezes. Mas isso nao muda nossa condição, não, e é isso que temos que lembrar. É um pacto, estamos cúmplices e entre nós existe uma corrente contrato ou como quiser chamar e ela é a vontade. Somos prisioneiros da nossa vontade e somente dela. Quando ela morrer, tudo mais morre junto. Lembra que você prometeu?
E que seja assim, sem promessas, sem eternidades, sem alianças. Nada de alianças. Meu deus, eu odeio alianças. Você sabe como eu odeio alianças. Isso é o que eu penso. Quer dizer, o que eu quero. Mas às vezes o que eu quero é diferente do que o que eu preciso, e Deus sabe como eu queria que o que eu preciso fosse o que eu quero. Por que o que eu preciso é mais extremo, mais fanático, mais necessário. E eu não quero o necessário. Eu quero o importante, mas não essencial. E que se vier, talvez, a se tornar indispensavel, que seja por somar algo importante, mas não por estar tapando buracos que até outras origens têm. E acima de tudo, eu não quero palavras. Nada de palavras para nós, meu bem. Fiquemos com nossos olhares. Não os mudemos, por favor.
Ultimamente eu estou de saco cheio para pessoas feitas de palavras. Desculpa, mas não dá. Causa aversão, agonia, repulsa, sei lá. Que covardia, eu penso, quando leio. E há quem aplaude; Claro. Sempre há quem aplauda. Para mim, nada de viver através delas. Nada de se extender por elas e dentro fica aquele oco estranho do que já foi tudo dito e o que não foi é porque você não sabe ou porque é terrível. E você ainda encontra um modo engenhoso de dizer. E daí você vira aquele monte gosmento de palavras que justificam tudo tudo e todos caem tanto que você esquece que a beleza está em não se justificar. Mas é isso, as estou detestando. E não, eu prefiro não viver de palavras. Quer dizer, você pode até pensar que é assim. É natural, é normal, mas se quer saber, eu as uso mais como um álbum de fotografias. Foi assim, aquele momento, naqueles termos, o sentimento criptografado. Eu o registro - às vezes - e pode ser que daí ele mude ou não, mas não porque eu me livrei dele e sim porque tudo muda a todo tempo mediante o mais inexplicável estímulo. E daí que basta, eu poderia escrever a noite toda. Eu quereria, na verdade. Mas ninguém pode escrever a noite toda e se não me engano, já disse o porquê.
Boa noite.
O que é uma pessoa feita de palavra?
ResponderExcluirtipo gente que só fala pra aparecer?
bom, acho que não tenho o que comentar aqui, é um texto pessoal, então não pode ser bom ou ruim, só posso dizer que se pessoas feitas de palavras forem pessoas que só falam pra aparecer e etc, acho mais que natural você sentir repulsa.
Se tem tanta repulsa assim, não deveria usar internet. Quer outro meio mais filho da puta em que as palavras são usadas para transmitir aparências?
ResponderExcluirFique bem, Céu de algodão.
[O inveterado.]
Te ver, te ler... Você é uma explosão tão interessante. Como a maioria das pessoas são. Explosões interessantes, digo. Mas você é de uma explosão atrativa, daquelas que a pessoa não foge. Uma explosão que a pessoa que ser morta de tanta beleza. Palavras, mesmo que diga que não goste, são pincéis maravilhosos na sua mão e adoro ver suas telas finalizadas.
ResponderExcluirGostou do filme?
Beijo.