Cá estamos novamente nessa mesa de pôquer. Eu sempre tenho um plano B. Cartas, coringas, sorrisos. Indecifráveis ou dissimulados. Ninguém conseguiu ainda ler a mensagem certa nesses olhos negros.
Eu estou aqui, com esse baralho nas mãos e o jogo nunca está perdido. Há sempre um plano B, eu nunca não tive um plano b. Às vezes há um C e até um D e por aí vai. Isso rendeu famas e das mais variadas. Fria, calculista, n, n, n. Um dia houve isso e daí houve a queda. Um mito em decadência, com pausa para os devidos perdões.
E quando essas cartas mostram-se assim obscuras e desistentes, é que você parece esquecer, mas eu nunca não tive um plano b. Não existe tal coisa como um jogo perdido, não existe tal coisa como a derrota. Existem fins, é verdade. Vários deles. Mas a renovação interna garante uma eternidade íntima específica.
Sou curiosa pelas criaturas que vivem dentro de mim e sei que são muitas. Por isso nunca haverá tédio aqui, não, pois há essa indiscutível sensação de rotação interna e poder fornecida pelo pequeno universo que cultivei em mim.
É engraçado falar sobre minhas fraquezas para os outros e vale lembrar que foi isso que provocou a queda do mito. Eu gosto de ver as pessoas se deliciarem com minhas fraquezas porque é aí que elas se sentem fortes. E quanto a mim, no momento em que lhes digo, de repente aquelas fraquezas tornam-se diversas de mim. Elas somem, se foram. Eu, de repente não as sinto mais.
Há certamente quem ache cruel, mas meu passado é cheio de cremações, nunca enterros. Qualquer dor é suportável porque aprendi a terrível capacidade de deixá-las pertencerem ao tempo e só a ele. Eu nunca abri uma porta do passado e não por força, resistência ou orgulho e sim pela mais pura e absoluta falta de interesse.
Então entendam, por favor, a minha intensidade. Eu sou totalmente a favor do presente e por ele me torno extremista. Uma vez que se for, no entanto, não terei tempo para remoê-lo, pois estarei em extremos com outro presente.
Se depois de tudo isso, não consegui explicar porque acha meus olhos dissimulados, nada explicará mais. Eu adoraria dizer que publico, desse modo, um pedaço de minha alma. Mas agora, no fim, já sinto como se não fizesse mais parte de mim.
Ia ser bom viver a vida do presente, mas é muito difícil.
ResponderExcluirVocê vive assim mesmo?
Pra mim, o passado ta sempre ali.
Os dois parágrafos fazem sentido juntos e separados, era pra ser assim?
Oush, criaturinha. Quem disse que eu vivo assim? Por que todo mundo supõe que todo texto que se publica é autobiográfico? ¬¬' E eu escrevi os 2 ao mesmo tempo, mas depois vi que faziam mesmo sentido separados, por isso que dei o espaço. kissus x)
ResponderExcluirEstava viajando, flor. Foi tão bom voltar e ler teus textos.
ResponderExcluirVou voltar a postar agora que voltei.
Não consigo me lembrar do Fisk, mas lembro de ti no Paraíso. Lembro bem, apesar de só ter te visto algumas vezes.
ResponderExcluirE obrigada pelo abraço, flor.