terça-feira, 19 de outubro de 2010

Qualquer coisa.

Cenário: Urca noturna. Esperando uma reunião eterna terminar. As nuvens? Estavam quase, quase lá.



Anoitece aqui e não lá fora.
Disseram que a natureza não é triste,
mas posso farejar quando ela chora.

Farejando sem instinto. Sem coleira, sem sentido.
Os mistérios me caem como doces adultérios.
Não vê sentido no que ouve? Nem eu no que digo.
-Não vejo sentido no que sinto. Está quente ou frio, amigo?

Está noite e chove. Vem cá, diz inteiro.
Diz a dor tua e do mundo, canta a lágrima num apelo.
Anoitece aqui e não lá fora.
Que há de tão errado que o mundo ignora?
Não ri, Sangra. Eu sei, também vi - Em chamas. Pude quase sentir.

Meu orgulho, teu orgulho, largue todos os escudos.
Vamos partir tendo abstraído algo daqui, baby?
-Olha, está tarde.
-Não, não. Está cedo.
A cada um que vai, meu coração se parte.
De cada um que fica, sinto o cheiro do medo.

Sente o gosto, amor? É grama molhada.
Chove hoje, por favor. Queria tua escultura na sala.
Minha sala, minha casa. Odeio a familiaridade. Não lhe arde como brasa?
Não preciso, não mereço.
Você não entende o sentido, e para explicar não tenho tempo.

Tenha fome, tenha medo.
Tenha ao menos a lembrança - De qualquer um sentimento,
da nossa primeira dança.

Da que não houve, eu sei. Queria voltar a ser criança -
Vamos atravessar no três?

Anoitece aqui e não lá fora.
Não tem mais quase ninguém aqui.
Você também vai embora?

Um comentário:

  1. Se eu entendi direito é sobre um carinho triste e sozinho, né!?

    (Sou péssima com poesias -.-)

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