quinta-feira, 7 de outubro de 2010

As várias faces de um romance

Falta de sono, falta de vigília. Frio na barriga ou repugnância.
Olha, agora me sinto como uma criança: É impossível não ousar com você.
Beijos no escuro e tiro no escuro. Tiro certeiro e o gosto do beijo.
Numa noite me invades, na outra te expulso. Te bebo e vomito - em doses salgadas.
Discussões, discussões. O que você espera? Ternura e cautela?
Nunca disse que era fácil ou que era maduro.
Nunca pintei meu retrato colorido em sua tela.
Se numa hora foi intenso - Se chamou-se amor; E guiou-se por instintos, desafiou meus limites;
Você soube ceifar-lhe a substância e o calor; Enegreceu-lhe a tez, desfigurou-lhe a cor.
Espera, eu estou com saudades. - Ah, não, foi só o vento da minha cidade.
Foi só nossa cidade que nos deixou com cor de pintura.
Foi a liberdade que nos mostrou sexo como ternura.
Foi só uma dose estúpida de irrealidade que nos transfigurou a dura e dura - realidade.
Esquece, foi só delírio de uma violeta murcha.

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