domingo, 17 de outubro de 2010

(Insere aqui qualquer título besta) Parte I


Esse aqui é um conto que há 2 meses estou devendo à Mari e hoje finalmente decidi fazer. Ela me deu a imagem acima como base e daí vai. O tema é algo que sei que a moça em questão gosta muito. Inspirado nessas suas fantasias loucas de mulheres que se tornam o centro da vida dos caras. - O final posto em breve. Quando o fizer, abro para você comentar, Mari.

Parte I

-Você tá com um cheiro. Daqueles coisas...
-Que coisas?
-Aqueles coisas de pôr no lábio. Como é o nome mesmo?
-Tutti-frutti?
-É, isso aí. Cê tá com cheiro de tutti-frutti, cara.


Eu fui pra casa. Eu não sei porque ainda tento beber. Eu odeio beber. Talvez quando eu vá beber, eu tenha a ideia de que vou ser um daqueles caras de filme. Bebendo, angustiado, quase literário. Que merda, ein? Bom, eu fui pra casa.

Eu não precisava dessa de tutti frutti hoje, sabe? Não mesmo. Como se não bastasse esse apartamento pequeno, branco, vazio. Essa cama revirada, esse clima cinza, eternamente deprimente. Essa vida eternamente deprimente.

Esse monte de livros, amontoados. Um monte de conhecimento que não me acrescentou droga alguma. Um monte de música que não me transmite mais nada. A barba por fazer no espelho e meus olhos que me parecem de um estranho.

-Merda, estou acabado.

________________________Tempos antes:____________________________

-Merda, já está acabado!

Tive um susto. Um palavrão assim, numa voz feminina dessas. Olhei para trás e só vi a boca.

Eu estava do lado de dentro do cinema, comprando pipoca e ela estava olhando para o aviso de sessão lotada fixada no vidro que nos separava. Um cartaz escondia justamente a parte de seus olhos. E eu só via a boca. Era uma boca bonita para o diabo.

A garota com quem eu estava saindo me chamou. Ela era legal, bem legal mesmo. Mas o filme inteiro eu só conseguia imaginar a tal boca lá. Eu era um idiota por isso, sabia. Mas não teve jeito.


No final do filme, dei um fora na menina. Nem sei direito porque fiz isso, acho que estava me cansando a ideia de ter que sair de casa novamente em algum tempo próximo. Ela me deu um tapa na cara, em cheio. Diabos, aquilo doeu. Não sei mesmo porque as garotas gostam de mim


Alguns dias depois, fui num clube de blues que abriu perto do apartamento. Era coisa de um amigo meu e tinha tudo para dar errado, até porque o cara tinha jogado todo o maldito dinheiro naquilo. Mas haveria mulheres e bebida - e naquele tempo eu estava empolgado em tentar beber. - E música. Muita músia. - E naquele tempo, isso importava. E como.


-Mas que merda!

Eu ouvi, quando estava na calçada do tal lugar. Olhei para trás, demorando para reconhecer a voz.

-Diabos de menina para falar palavrão... - Eu murmurei para mim mesmo, só. Ai de mim querer que ela viesse com aquela boca suja para meu lado. - Bom, e falando nisso...

Era, de novo, a única parte que estava dando pra ver do rosto. Tinha tropeçado na calçada e parecia que o salto tinha quebrado/ emperrado/ sei lá, essas coisas que salto de mulher faz. Daí ela estava abaixada, o cabelo loiro - Sim, era loiro - caindo sobre a cara enquanto ela olhava para baixo  e só dava para ver aquela boca totalmente apelativa murmurando um monte de merda. Que beleza!

Eu entrei, mesmo que com uma certa curiosidade. Ela era bonita, sim, dava para ver agora. Mas eu não sou idiota. Dá para reconhecer uma mulher problemática de longe.

O clube estava cheio e tal e eu até dei um bom crédito ao meu amigo. Era um ambiente maneiro, luz baixa azulada, um mini palco com banda, onde alguém ia cantar. Enquanto isso uns caras entoavam uns saxofones acompanhando uma música que saía de um gramofone bem legal. Muito mesmo.

Eu pedi duas doses de qualquer coisa para uma mesinha e fui cumprimentar meu amigo. Um sujeito bem legal.
Estava emocionado por eu ter ido. Surpreso até, diria. Meio que ficou com o olho arregalado quando eu bati em seu ombro.

-Cara, eu tinha certeza absoluta que você não vinha! - Ele disse com um jeito totalmente sincero que eu achava bem legal.

"Diabos." - Eu pensei, "Eu devo ser o maior otário mesmo." 

Mas tudo bem, já tava indo sentar, quando escuto  -

Não é que era a tal menina quem tinha começado a cantar?

A voz dela, como eu tinha observado antes, era muito feminina mesmo. Era super afinada, e olha que eu entendo mesmo dessas coisas. Ela tinha um jeito de se mexer discretamente sensual, enquanto cantava. Encolhia os ombros e ficava meio que se inclinando, sabe? Ah, não sei mesmo explicar, mas era bem sexy. Todo mundo começou a dizer uns comentários idiotas, falar que ela era sem graça só porque não estava abrindo as pernas e tirando a roupa enquanto cantava. Esse pessoal tem um conceito de sensualidade bem ferrado.

A questão mesmo é que por algum motivo, a menina teve a maldita ideia de colocar o cabelo na frente da cara. Tinha uns fios escorrendo e eu imagino que até deveria dar para enxergar os olhos dela, mesmo com isso, mas eu sou míope como o diabo e só conseguia ver a boca mesmo.

Aquela maldita boca já estava se tornando um personagem.

Ela acabou de cantar e jogou o cabelo para trás. Eu tinha consciência de que ela estava jogando o cabelo para trás e dava para ver os olhos e tal. Mas e se eu te disser que simplesmente não olhei para os olhos dela?
Naquela hora eu estava meio que hipnotizado, de um jeito idiota. Acompanhei a maldita boca da menina enquanto ela descia do palco, pegava o casaquinho e pedia uma lata de soda para levar.

Continuei olhando enquanto meu amigo agradecia a ela e tal e ela já estava chegando na porta do clube quando eu, num só impulso, levantei e a virei para minha frente assim, segurando pelo ombro e pronto.

A droga do cheiro de tutti frutti me atingiu como um gancho de direita enquanto eu beijei essa garota. Por algum motivo, ela me correspondeu. Ela tinha um beijo assim, não sei como explicar, sabe? Ela não era só beijada, ela me beijava também. Isso era tão incomum, era tão... Isso me deixou em fogo, na hora.

Daí eu a afastei. Assim, ainda com a mão segurando o ombro dela e daí vi:

Ela tinha dois olhos gigantes meio curiosos. Surpresos, infantis, quase ingênuos. Dois olhos que - perdão o clichê, mas eram azuis.

A menina tinha uma boca de mulher, uns olhos de criança e falava palavrão como o diabo. Eu ri.

Ela estreitou os olhos, desconfiada:
-Que foi, quer dizer que eu não beijo bem?

-O quê? - Minha voz falhou, confesso. Mas é que veja bem, por essa eu não esperava. Um total estranho a beija do nada e sorri, e o que ela quer saber é se é porque ela não beija bem? Ela era maluca, para completar a lista.

-O que foi, você quer que eu lhe mostre que... - E já estava se aproximando de novo, com uma expressão, assim, obstinada. Tão absurda. Eu estava tão absorto. Segurei os ombros dela.

-Ei, ei. Calma, espera. - Minha voz estava saindo sorrindo, não conseguia evitar. -Vamos tomar algo, tá certo?

Ela estreitou de novo aqueles olhos grandões, e murmurou alguma coisa em concordância, como um bichinho. Eu sorri e continuei sorrindo enquanto íamos de lá para uma lanchonete próxima. Estava sorrindo como um babaca e parecia que todo o ar ao meu redor cheirava ao tal tutti frutti. Parecia que todo o ar tinha de repente ficado diferente. Tudo.

Sentamos nos banquinhos da lanchonete e ela escolheu alguma coisa doce para comer. Eu sorri, olhando para frente, não para ela:
-Engraçado, eu nunca tinha conhecido uma pessoa maluca de verdade.

Ela me deu um tapa no ombro que quase me fez cair da cadeira.



(...)Continua.

4 comentários:

  1. AAAhhhh, você demorou mil anos, mas eu adorei!! *___* Eu amei a menina, mas eu tb amei o carinha(mas eu acho que gosto mais dela XD) adorei esse treco da boca, e ela falar palavrão e etc... de verdade, não esperava por algo assim(na verdade, não sei o que esperava) e gostei muito, eu ia gostar até se acabasse ai, mas isso não ia fazer muito sentido XD hahahahhaha

    thanks!! *_*(eu acho que não consigo fazer algo tão legal, snif i.i)

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  2. Eu gostei muito disso gueeeeeeixa!
    e por favor.. legal escrever o resto.
    A curiosa aqui agradece! ¬ ¬

    Beijos, olhos puxados! (Kath.)

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