segunda-feira, 19 de maio de 2025
Ode à rainha
Lendo sem muitas surpresas aquele livro antigo, eu percebo que me tornei uma versão aprimorada do que eu idealizei.
Decadente e virtuosa, em medidas perfeitamente proporcionais o suficiente para garantir a admiração e a ironia da situação.
Sim, é verdade. Eu estou agora vivendo meu auge.
Eu consigo sentir em meu rosto, agora tão mais macio, a gentileza do elogio. A admiração que desperto, os sorrisos de imerecido afeto. O reconhecimento desperto. Eu consigo sentir tudo isso de perto.
Me sentir bonita é inevitável quando os olhos abrem-se assim e as palavras jorram como rios sem um escoamento.
De outro lado, o riso interno. A verdade conhecida por poucos.
Que sou uma low-key alcóolotra, sleep-deprived workaholic, uma junkie. Que gosto de coisas estranhas, tenho um humor estranho, adoro pessoas estranhas.
E tudo isso distancia os dois mundos, tornando ambos banais. Meramente instrumentais.
Me distancio e saio. Muto e mudo, vou de um a outro, a meu bel prazer. E nos dois chego portando segredos, desfrutando dos meus disfarces. A rainha dos meus mundos. É nesse ponto que estamos, eu não sinto nada, que não esteja em meu poder.
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