Eu preciso controlar meu impulso de escorrer
A vibração das minhas veias
Pulsando a mais indigesta intensidade
Não é um sentimento tranquilo
Seu destinatário é pouco específico
E a única certeza é a vontade.
É quase uma surpresa reencontrá-la
Tento sempre me anestesiar - prática antiga e ineficaz
Logo emerge a explosão de euforia
Que só a instabilidade me traz
Mas quando a poeira abaixa
E o silêncio prevalece
É a solidão fininha e sincera
A voz no ouvido que me enternece
É o sentimento fluido
Procurando destinatário
A vontade, a fome
Daquilo que achei ter evaziado
Achei que tinha sido levado
Brutalmente sequestrado
Mas meu afeto e carinho
Ainda procuram destinatário
O desamor não me destruiu
A indiferença não arruinou
Talvez a inocência tenha partido
Mas dentro desse trincado vazio
Ainda há espaço para amor.
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