Coisas confusas e borradas
Comportamentos contraditórios,
Frases entrecortadas.
Névoa no meu olhar distorção nas palavras,
Nenhum compromisso nenhuma promessa...
Ambiguidade e incoerência, isso sim
Intenções turvas são tudo o que me interessa.
Eu não estou completamente aqui
Metade de mim desapareceu.
A parte que está conversa e sorri
Com a outra ninguém sabe o que aconteceu.
Posso até te tocar, se quiser
Meus beijos são suaves, minhas mãos são macias.
Posso te dar o que quer.
O que tenho a oferecer: as coisas mais vazias.
Posso fazer um encantador quadro
E gentilmente pregar na sua parede
Cuidado só com o vácuo
Que absorve quem se aproxima dele.
O buraco negro vazio
A ausência de tudo o que sentiu
É o que tenho a oferecer.
Minha vida
Nesses dias
Consiste em pouco a pouco morrer.
O clima está bom, o sol à pino.
Dou uma gargalhada ou um sorriso.
Pego sua mão, te dou um beijo.
Escuto suas histórias de infância
E desapareço.
O fogo ou o calor, qual caminho seguir?
Escolho à esmo, por mim tanto faz.
Qualquer decisão, aleatoriamente
Baseada no acaso ou no mais passageiro desejo,
Tanto faz
O que me satisfaz.
"Então tanto faz morrer"
Disse um homem a quem, surpreendentemente, me fiz entender.
Deitada em sua cama, tocando sua supérflua pele
Pensei que tanto fazia
Se a incinerava ou entrava nela.
"Tudo o que nós fazemos é para preencher o vazio.
Religião, amor. Fanatismo, ideologia".
O meu?
Eu olho nos olhos
Me afundo nele
Do meu
Talvez eu não consiga voltar.
Dor e morte
Amor e sorte
Talvez eu não consiga voltar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário