terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Desilusão é a desconstrução do que nunca existiu

Frio na barria
Aperto no peito
O que eu estou sentindo é
O amor ao contrário.

Desilusão é a desconstrução de uma miragem
Que estranho perceber que ela não era sequer bem feita
Nem mesmo era bem disfarçada.

Exijo coisas.
De mim mesma, dos outros.
Dele, não exijo nada.

Nunca na história
Um amor foi tão completamente vomitado.

Olho para o passado,
Retratos antigos.
Em cada memória, um vício oculto bem mal escondido
Que sempre esteve lá.
Uma letargia invisível, invencível
Tanto que derrotou todo o resto, como uma leve corrente de ar.

Eu escolho não me anestesiar da dor.
Deixo fluir, como essa chuva que agora mesmo começou.
Deixo nascer nas raízes de meus cabelos, espalhar-se pelos nervos.
Deixo apertar meu peito e mastigá-lo, enfraquecer meus braços e pernas.
E então deixo-a passar, tomar seu caminho docilmente
Em uma partida tão lenta e definitiva quanto a sua chegada.

Cada um dos sentimentos pertinentes vem e faz sua morada.
A dor pelo abandono e o desprezo.
O medo de ter sido enganada.
O constrangimento e vergonha
Por ter sido tão facilmente humilhada.
A mágoa por toda a dedicação dada
E nunca valorizada.
O rancor pelas palavras não ditas
E muito menos pensadas.
A raiva pela injustiça da indiferença
Pela falta de humanidade
Tão própria de um ser humano
Imerso na própria fragilidade.
Tudo vem, faz sua morada. Espalha-se e em seguida parte,
Partes minhas para nunca mais serem encontradas.

Não há nada de positivo nisso
Nessa dor não há aprendizado.
Não há nada que fortaleça ou engrandeça o espírito
Não há cor que ilumine o quadro.
De tudo isso
De toda essa tralha
Eu me arrependo.
Eu me arrependo de tudo.

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