Eu olho para aquela menina.
Eu quero abraçá-la
Eu leio suas palavras
Suas preces desesperadas
Sua autocrítica faminta
Sua cegueira desenfreada
Baseada em culpa e dor
Alimentada de forma desregrada.
Eu nunca tinha entendido
A vontade de abraçar o passado
Até entender o quanto o meu
Foi continuamente machucado
Até conhecer a verdadeira
Perda da inocência
Da qual tanto eu tinha falado.
Ela acreditava ser tudo sua culpa
Portadora de uma doença sem solução
Acreditava merecer o desamor,
Distorcida pela própria visão.
Descontrole. Desespero. Medo. E solidão.
Todos os sentimentos que não pertencem ao repertório do amor
Eram o que pautava sua relação.
Incutidos sistematicamente
Diria até mesmo acidentalmente
Por uma outra mão.
O que eu queria dizer-lhe?
Não.
Nada disso é culpa sua, menina.
Sua capacidade de amor é infinita.
É uma pena que está prestes a ser destruída.
Era uma raridade tão bonita.
A inocência que você dizia perdida brilha em seus olhos
Você nem imagina.
Por favor se proteja e parta
Por favor salve a sua vida.
E para ele?
Nada.
Eu não queria dizer nada.
Não há nenhum ímpeto de resolução.
Não há palavra ou acusação.
Não há nenhum elo entre nós.
Aquele homem
Nunca mais ouvirá a minha voz.
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