segunda-feira, 8 de abril de 2013

Abstenção

Ela se absteve de escrever um texto.
Ela tinha tudo em mãos: A caneta, o pretexto.
Mas foi dormir com o oposto do beijo.
Não houve urro; impulso ou desejo.
Estranhou o vazio que a abraçou na cama.
Logo ela, a menina que tanto ama...
Ia escrever sobre o olhar vazio
De um rapaz outrora tão belo, agora retrato frio:
Sobre o esfriar do elo.
Mas pareceu-lhe um tema tão superficial
escrever sobre coisas já enterradas...
Que pela primeira vez sua mão falhou no ato;
e para acompanhar-lhe não restaram nem lágrimas.

É claro ver quando um assunto esgotou.

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