Pedacinhos de luz extrapolam da minha mente
Borboletas azuis te circudam, serpentes.
Momentinhos seduzem, com uma reverência, ao revés
E assim te convido para um passeio no meu convés.
Toda santa noite, te chamo aos pouquinhos.
Mas você dorme, não me vê. Se embala sozinho.
Passeio pela sua cama, frustrada. Toco uma flauta ou um sabiá.
Danço uma dancinha, uma coreografia, qualquer coisa para te agradar.
Toda santa noite, vagalumes meus te visitam.
Eles puxam sua blusa, tentam te convencer.
Mas você olha o relógio, um telefonema, tanta coisa a fazer...
E todo santo dia, eu te visito à noite.
Sento na sala de jantar. Se não tiver ninguém perto, tomo até um chá.
Pedacinhos de coração fazem uma trilha para seu jardim.
Mas você passa direto, por que tem que ser tão frio assim?
Toda meia noite eu faço uma ciranda no seu quintal.
Danço ao redor do seu quarto, coberta de luzes de cristal.
Mas você só se remexe no sono, não escuta o meu sinal.
Toda santa noite pedacinhos de mim brilham ao seu redor,
te pegam pela mão, te puxam em vão, nadam no seu suor.
Tentam te trazer para perto de mim.
Anoitecem sozinhos e tristes, deitados na cômoda ao te ver dormir.
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