Você está bem?
Larguei tudo, voltei para casa.
Sem mais passos na escada.
Sem escudo, sem espada.
Deixo o mundo, jogo a toalha.
Você não vem?
Daqui de longe, te vejo rastejar.
Sem destino, sem radar.
Em desatino, ao despencar.
Quando e onde vai parar?
O mundo caiu.
Caiu sobre nós nossa ilusão
As esperanças de crianças
Eram só sonho vazio...
(E ninguém viu)
Nossa vez, nossa dança.
Minha máscara, tua lança
Foi a nós que ela feriu.
Te vejo longe.
Parece ter frio, mesmo com todo o calor
Te vejo afastar-se do que sonhou.
Te vejo com grana, companhia e sorrisos.
Mas te vejo sem paz, aceitação e amor.
Ainda dá tempo.
Vem pra cá e vem correndo.
Se esconde na minha saia
Foram só alguns milênios.
Só um tremendo pesadelo
Foi só uma falha ténica
Foi só uma queda de bicicleta
Foi só uma pausa poética
Para efeito de dialética.
Mas na verdade, não vem não.
Eu já nem nos reconheço.
Imagine um recomeço...
E a quem estamos enganando?
Já faz mais de quinze anos.
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