sábado, 27 de agosto de 2011

The boy who blocked his own shot - Letra e música.

Silêncio.
Você não diz nada, não me diz nada. Não percebo mais em teus olhos o impulso de tentar me ferir, se proteger ou projetar qualquer sentimento em mim. Estão vazios e opacos e nem cheios das lembranças parecem, embora eu saiba que foram elas que os deixaram assim.
Isso acaba comigo, me desespera. Digo uma, digo outra vez. Exploro feridas antigas, uso das palavras com a destreza cruel com a qual fui ensinado. Nada, nenhum efeito, reação. Só um pouco mais de vazio, depois, enfim.
Desespero.
Pego sua mão, subitamente. Tento o efeito inverso. Meu orgulho começa a se apagar. Mas nem isso, meu Deus. Temo que algo, sua alma, seu espírito, essas coisas das quais você sempre falou e nas quais eu nunca acreditei, tenham morrido. Essas coisas, cujas existências são essenciais para minha sobrevivência - embora só perceba tudo isso agora - e que arduamente tentei destruir.
-O que eu posso fazer, o que eu posso te dar? Quer que eu vá embora, que eu fique?
Você não diz nada, não me diz nada. Dá de ombros, puxa o fôlego. Tenta ser gentil, mesmo na dor. Tenha ter reciprocidade, mesmo no vazio. Retribui os meus carinhos, mas quando encosta seus lábios nos meus uma lágrima escorre de seus olhos mortos, porque se viola ainda mais. Vejo o que sou para você: Vejo que me tornei um poço de tristeza, o grande estopim de todas as tuas dores. Não posso mais te dar nada, percebo. Nada.
Pela primeira vez na vida, talvez, tento pensar no que você precisa em vez de no que eu quero. De repente me pergunto, afoito, como se uma venda tivesse acabado de ser tirada de meus olhos, como/por que não pensei nisso antes. E percebo, em aflição, que foi isso que você fez o tempo todo. E que ainda faz agora.
Frágil e doce, mesmo na amargura. Seus olhos são bondosos e seus finos braços pálidos me abraçam com compaixão. Seu corpo todo tão frágil, sua doce alma tão imensamente forte. Destruída pela única força maldita que poderia tê-lo feito. Te olho, te gravo, te tatuo. Jamais te esqueço. Parto. – Porque é a única coisa a fazer por ti agora.

3 comentários:

  1. Nossa que triste mano! =/
    Eu curti, eu curti...

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  2. Sendo partir a única coisa a fazer... o faça. Porém você e suas lembranças estarão sempre aqui comigo. E infelismente terei que fazer o mesmo, partir. Esperando também ficar ai, dentro, de você! Nada nem ninguém, além de mim e você, poderá acabar com o nosso amor.

    Kristal adorei o texto. Beijos!

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