Era simples e geralmente chovia bem no meio da tarde, às 16h.
Ela morava num lugar pequeno que tinha uma janela de tela furada para um corredor tosco e o céu branco. Sua cama era o melhor lugar do mundo e ela nem imaginava que tudo que a rodeava tinha o inequívoco aroma de sua frágil existência.
Ela já começava a conhecer as coisas belas e tristes, a doçura, o céu à noite e a importância dos olhares. Havia um ou dois apanhadores de sonho por seu quarto porque à noite, às vezes, fantasmas que nunca tinha conhecido lhe visitavam, mas há também quem diga que vezenquando um ou outro anjo mal beijava seus lábios durante o sono.
Ela gostava de vê-lo entrar sorrindo, com os cabelos molhados de quando a chuva estava no começo.
Ela gostava de vê-lo entrar sorrindo, com os cabelos molhados de quando a chuva estava no começo.
Te adocicar, te amaciar - era complexamente fácil embalá-lo numa melodia muito natural com gosto de infância e outras iguarias tais.
Às 16h o céu chuvoso é magnífico, repare bem.
Não era muito diferente de passar a tarde em casa, na infância, tomando o picolé do carrinho que apitava todos os dias pela rua e sorrindo por coisas que lhe eram inocentemente e genuinamente engraçadas, na época.
Não era muito diferente do vento frio que entrava de supetão pela janela, anunciando o começo de chuva e embora frio era sutil, e era doce e formava uma atmosfera de sonho no quarto com o lustre antigo às 16h da tarde, de qualquer tarde qualquer.
Não era muito diferente de não precisar forçar sorrisos ou piadas, bagunçar os cabelos castanhos e quase longos dele e fazê-lo sorrir também sem nenhuma intenção disso.
Era simples deitar naquela cama com cheiro de tudo que um dia já foi seguro, com ele, com a música baixinha vindo do rádio e o vento levemente frio os envolvendo e muitas vezes sem toques, muitas vezes sem nudez nem nada do gênero e sorrir e brincar de palavras ou músicas e olhares e amor ou algo que o valha e dormir e sonhar um com o outro e por causa disso, de tudo isso, acordarem felizes, totalmente felizes, sem sequer terem consciência disso.
Era simples como o rebentar de uma pequena mas refrescante onda na praia durante a chuva do meio da tarde, porque dizem que não existe nada mais doce do que o céu chuvoso às 16h, se você quer saber.
Eu adoro visitar esse céu de algodão, se você quer saber!
ResponderExcluirExcelente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirOOOOHHHHHHHHH esse ta muuito muuito muito bom!!!
ResponderExcluirta tããão fofo, e calminho, e nostálgicooo! Ta tão um passado de um casal de jovens que se amam e que era doce e gostoso e invejável!
E combinou taaaaantooo com a música!!!
*_____________*
Oi Kristal (:
ResponderExcluirAaaah que chique esse texto *-* quero voltar a escrever bastante como nesse post. Adoro ler sobre sonhos e anjos, são assunto bem involventes. Gostei muito do jeito que você começou a escrever, nos dois primeiros parágrafos.
Essa coisa de inocência... já passei tanto tempo entalada nesse assunto; parece que cada dia arrasta um pedaço da gente pra trás, as vezes.
Parabens pelo post (:
E eu esperava mesmo, coisas como Machado. Vou dar uma olhada no livro que você falou.
Um beeijo
Awns, Mari *-* Fiquei tão feliz com seu comentário porque era essa mesma a sensação que eu estava tentando passar. É tão bom quando dá certo jsksaehauha
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