quinta-feira, 31 de março de 2011

O vôo da quimera

Parecia simples, sem riscos e descomplicado.
Aberta foi uma porta da emoção por nada menos que a racionalidade.
E de dentro dela veio a disponibilidade, a intenção - De criar
tal formosa construção, que traria para esse furacão, quem sabe,
alguma tranquilidade.
Levou tempo, é verdade. Levou espaço e muitas dimensões a mais.
O cientista, assim, pegou aquilo que via como pedra bruta,
e adicionando tolerância e bravura,
criou e transmutou até formar-se uma figura
que poderia, então, ser amada.
A quimera estava, então, pronta. Uma criação cujos ingredientes
estavam somente na imaginação - daquele que tencionava amá-la.
Experiência esta, que resultou positiva.
O cientista apaixonou-se por sua quimera querida.
E tanto amor doou a ela, quanto esta precisava.
No entanto, um dia, a entrega foi demais.
A quimera passou a perceber ter poderes tais;
E o amor de seu cientista, antes fonte de água e vida;
Tornou-se uma substância rude. A quimera queria mais.
Desprendeu-se então de seus zelos, e com a força adquirida por estes,
farfalhou asas de substância nova,
e partiu para longe de seu criador;
Levando junto seu amor,
que agora, enojada, rejeitou
talvez por ter sido demais.

4 comentários:

  1. Sabe Olho de Gato,
    Quando comecei ler seu novo texto, logo me veio a mente, talvez influenciado pelo titulo, uma figura esquisita como as quimeras mitológicas. Depois comecei enveredar pelo mundo da fixão.
    Depois comecei entender como a construção de um grande sonho bruscamente interrompido. Depois achei que seria um grande desabafo, alias, contruido com grande maestria.
    Depois, me perdi. Finalmente vc me encurralou com suas poderosas palavras.

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  2. Eu sempre fico intrigado quando observo o olhar dos felinos. Tão indiferentes quanto sobrenaturais; tão sobrenaturais quanto superiores; tão superiores quanto os mais belos olhos humanos. Chega a dar medo, sabe?

    Este texto foi uma piscadela daquelas. E causou alguma coisa mais do que alguns segundos de leitura. É por aí mesmo.

    Um abraço.

    [A tal da auto-estima não anda caída nem decaída, mas silenciada. Eu tenho me ensinado a lidar com as minhas próprias mazelas.]

    [A gente precisa se encontrar mais para conversar e/ou sorrir. Estas coisas são legais.]

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  3. Nossa esse ficou muito bom mesmo!
    Ta ótimo, adorei tudo, o jeito que escreveu o que fala, tudo.

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  4. Eu realmente gostei desse texto.
    Tu viaja demais, em coisas que julgo aparentemente simples.
    E há mil verdades por trás dessas metáforas ai que to ligado.

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