Eu gosto do seu desprezo previsível
De como, do pedestal de sua mediocridade
Me faz sentir invisível.
Eu gosto do amargo do gosto
Do reciclado e cansado desgosto
Gosto, tento, digo que gosto
Mas quando percebo, surpresa, eu choro.
É verdade que eu sou insignificante?
Os dias passaram, o passado num instante.
Sou pouco mais que a poeira nos seus dias
Um fantasma esquecido em sua cidade fria
Sou uma coceira incômoda, não chego a um pensamento
Sou o ensaio de um lamento, nada que ocupe o seu tempo.
Você achar que eu te desprezo não é mais um consolo
Quando a resposta é seu prometido silêncio
Imploro que não fale, mas espero pelo seu rosto
Cada maldição que te lancei, o oposto de um sentimento.
Me pergunto como seu corpo treme
Quando com outra mulher sente prazer
Quero esmagar essa parte da minha mente
Que me faz refém do que quero esquecer
Tento me anestesiar com músicas, com torpeza
Quero esquecer todo resquício de beleza
Preciso me livrar da sequela do seu toque
Antes que isso vire saudade
Que me mate
Ou no mínimo
Que me sufoque.
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