Mais uma experiência foi necessária
Para reforçar minha desilusão óbvia
Mais uma
Sutil matança de esperança
Tão pequena e frágil, mal pude crer que existia
Quando começou o rebuliço na minha mente, poesia
Imaginação de cenários na hora que dormia
Histeria
Maluquice clara
Mas alívio também
Uma verdade deve ser celebrada
Alguma ingenuidade segue preservada
Mas o tempo e experiência cumpriram sua tarefa
Pisaram na rebelde, estraçalharam a sequela
De algum desejo longínquo, algum ardor
Algum pensamento efêmero
Algum ensaio de amor
Desastrado
Tão mal acostumado
Que sequer concluiu o segundo ato
Dessa vez tive algumas coisas boas
Frio na barriga, sorrisos tolos
Esqueci da dor. Esqueci do grotesco
Das lágrimas rezadas nas contas do terço
Do meu sôfrego resfolegar, do meu pretexto
Por um pouco mais de fé e paixão
Ensaiei momentos de adoração
Com a sinceridade que não vinha há meses
No momento, porém, que tirei sua venda
As cores reais eram amarelo e bege
Fosco, sem graça, do tipo mais comum de canalha
Que se encontra por essas terras verdes.
Não senti raiva ou desaforo
Dei dois beijos em suas bochechas, cada um de um lado
"Quando se apaixona por alguém, se quer tudo. Não se contabiliza nada".
Didática até no amor, lá estava eu de novo dando aula
Sobre os princípios básicos do querer, esquecidos por toda uma geração
Singela decepção
Mais um homem adulto com mal formação na emoção
Fazendo contas com pessoas, julgando seu próprio valor em métricas inadequadas.
Insegurança e fragilidade
Que na dor do outro ressoa.
"Você tem que ser amado por quem te ame como pessoa"
Disse eu, palavras indecifráveis
Diante de dois olhos confusos
Prontas a serem jogadas ao acaso
No momento em que eu saísse do carro.
Mas saio tranquila
Sem a impulsividade da minha carência maltrapilha
Sem inverdades, sem passividade
Apenas eu e minha singela guerrilha
Que se recusa a se render à dor ou crueldade
à frieza ou utilitarismo
se recusa a mergulhar no abismo
Das coisas frias e irreais.
Tanto faz.
Eu sempre fui das que amam demais.
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