Recobram as vontades que escondo em uma fachada de mármore.
De mármore.
Como a bancada em que me apoio ao teu lado,
Te olho, incólume, tantos segredos vazios.
É em você que penso quando eu liberto meus sentidos.
Aqueles pequenos momentos passageiros,
Adocicados pela perspectiva de morte prematura.
São o que me vem à mente e sorrio
Tudo é borrado, mas a lembrança, reconheço, é a tua.
Meus dedos começam a ficar impacientes,
Quero puxar as cordas, causar desastres.
Uma ligação inocente, até mesmo uma mensagem
Quero ver movimentação porque dentro de mim tudo é estático
Quero acordar à machadadas meu coração apático.
As luzes estão acesas na selva urbana,
Minha criatividade na lama.
Vejo sua imagem na minha mente tão clara
Quero estender a mão e estrangulá-la.
Em meus carinhos indesejáveis, teu carma
Minha cama vazia, tua cara de canalha.
Um substituto passageiro,
Cínico, gentil e estrangeiro.
Mas na memória nenhum daqueles dias passou,
Do endiabrado fevereiro.
Sim, minha expressão continua impassível
Metade das palavras falo pela metade, vou tornar isso impossível.
De noite, tomo mais duas doses de covardia líquida e desapareço
Não quero saber de ti, tão longe agora do meu endereço
Zombo da tua figura, da minha paixão desarrazoada
Mas tua cara continua na memória: Sarcástica e blasè
parece até saber que no plano inicial
Este texto sequer era sobre você.
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