sábado, 18 de outubro de 2014

Crônica de uma açougueira (Snap out of it)

Suas terminações nervosas estão tão vigilantes,
recebendo estímulos a cada instante.
Saia dessa, querido.
Minha pele está à esse mínimo toque te causando arrepios?
Saia dessa, querido.
Minhas mordidas na tua orelha, te sugando.
Minhas mãos em tua cintura, pressionando,
Meus dentes em teu peito, se afundando
Estão te fazendo suspirar?
Saia dessa, querido.

Minhas pernas prensas contra tuas costas
estão te arrancando um fino gemido?
Saia dessa, querido.

Quando eu termino um beijo, e te olho.
Teus olhos baixos e escuros - eu adoro.
Tua boca entreaberta e tremida...
A carne te interessa tanto assim, querido?

A minha, observe, a corto assim. O faço com uma navalha ou afins,
Vejo o sangue escorrer, sem significado. A carne apenas um detalhe, um retalho.
A mutilo e pressiono, apenas por distração.
Ela é a casca da casca, que eu corto do meu pão.

Mas venha cá, não se afaste, querido.
Gosto do cheiro do seu suor
Gosto do gosto das tuas mucosas,
Gosto da cor de meus arranhões nas suas costas,

Então traga o teu corpo esguio para perto,
E venha cá, querido.

Quero te fatiar para o jantar.
Jogar pedacinhos para os cachorros.
Mas com teu coração,
este órgão de juvenil pulsão
fazer um prato fenomenal.
Temperar com este teu alto astral,
Quem sabe até fazer nele um carinho oral.

E então mastigá-lo.
Deliciosas fatias macias...
Quebrando as fibras à garfadas,
me deliciando com as migalhas.

Então venha cá, querido.

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