Inexatidão.
Não, nada nunca permanece o mesmo.
Abaixe-se, aperte um pouco os olhos, apure o olhar:
Modificações pequeninas encadeando-se em um encaixe perfeito, contínuo e gradativo, formando círculos úmidos na sua parede, que crescem ao passo que seus pulmões se enchem de ar.
Te encarando, alinhados em frente aos seus olhos de percepção tão volátil...
Quão irresponsáveis são os segundos, quão inconsequentes nossas mãos.
Quão imprudentes os músculos que formam o sorriso.
Minha pele é água, ela não me contém, apenas me contorna.
Tudo o que passa ao seu redor escorre macio e com sofisticada naturalidade.
Suas mãos nada podem segurar. A quem você quer enganar?
Sinta seus pés atravessando um chão no qual não encostam. Forjando memórias e a ilusão absurda de controle.
Se você olhar para trás,
Talvez veja que apenas em sua mente estava deixando pegadas.
Nada se controla, nada se limita.
É de uma liberdade surpreendente sentar-se calmamente em frente ao caos.
As explosões ocorrem como ondas de frequência dançando no infinito.
Jorrando línguas de eletricidade, fogo e elementos indefinidos,
Formando estrelas ao acaso, sem uma religião que as defina.
Se você souber observar, vai maravilhar-se com sua beleza.
Eu acho que a vida acabou de começar
Todo o resto é irrelevante.
Nada pode ser cobrado pois nada pode ser contratado.
Essa é a receita da minha liberdade,
A íntima e personalíssima,
um presente pessoal, a mim que tropeço em tantas amarras...
Permitindo-me, assim, encarar o espelho
Com a mesma tranquilidade que encontro outros olhos
Sem nenhuma necessidade
De qualquer explicação.
Viver nos concede a doce prerrogativa de jamais nos justificarmos.
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