Ela dançava descoordenada, em cima de uma navalha. Era difícil orientar-se na paixão.
Agachou-se em sua frente, tirou seus óculos, mordeu seu lábio. Ele a deixava livre, louca, com esse sorriso de quem sente prazer no vento.
"Tudo pode ser, nada vai te acontecer."
Queria bebê-lo como quem bebe um vinho bom, não, queria bebê-lo como quem bebe cachaça.
Queria-lhe descendo pela garganta, arranhando e dando tontura. Queria-lhe ao mesmo tempo como uma água doce em um dia quente. Queria-lhe em maneiras controversas, em todas as que existiam. Queria seu olhar mais tranquilo e também o mais sombrio. Como um pânico, um delírio, uma música amada; Um homem, um menino.
Amara-lhe com as entranhas. Com forças estranhas, que ele lhe inspirava - Amava, e sem saber direito o significado dessa palavra, com suas ações, a explicava.
Desdobrava-lhe as camadas, dobrava-lhe os lados, três-quartos, por cima, por baixo, até formar-lhe o origami.
"Me ame"
Era o resultado da obra. A figura de um lobo, de um coringa, de um rapaz bom ou de um traquina? Cada lado do papel, ao dobrar-se, derrubava um véu. Ele era muitos, cada um num dia, com uma energia, dependendo da sintonia...
Ao mesmo tempo, era o mesmo.
E era a ele que ela amava.
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