Hoje é 2013, ainda por alguns dias.
Há tempos eu não sinto mais ânsia de escrever e há anos venho dizendo que estou envelhecendo por dentro. Minha amargura injustificada tem me aborrecido bastante, de modo que é um difícil convívio aqui nesta casa que sou eu, onde tenho que residir comigo mesma. Há anos atrás ser cética era uma intenção, quase que uma proteção. Hoje em dia é uma prisão, meu ceticismo desencanta tudo ao meu redor. Eu estava pensando que preciso passar a ver prazer nas coisas mais simples, de um jeito que não seja forçado. Mas é difícil fazer qualquer coisa quando à minha frente, já tenho dado 10 passos e estou olhando para mim mesma, com desdém. Talvez um psicólogo me ajudasse nisso, mas é muito improvável porque meu ceticismo desconstruiria qualquer abertura para que eu pudesse ser ajudada. O que eu preciso, mesmo, é que me derrubem um pouco. É ser desconstruída, desestabilizada. Daqui de onde me sentei, tudo parece repetitivo e entediante. É exatamente nisso que consiste minha arrogância. "Tudo é só uma versão de outra coisa". Minha auto-crítica me consome diariamente, e torna minha crítica com os demais exacerbada. Eu procuro perfeição em um nível absurdo e extremo e torno assim algoz de mim mesma e daqueles que me amam.
Eu sempre tive a teoria tão bem posta, não acham?
Eu sempre falei coisas bonitas sobre amor, convívio, aceitação e relacionamentos. Na minha cabeça, tudo faz muito sentido. Na minha pele, no entanto, essas coisas queimam. Dizem que aqueles com os discursos mais incisivos são os mais ferrados, não é? Desculpe, tenho que concordar.
Eu tendo a fazer um balanço negativo do que já aconteceu até aqui, como se 21 anos fossem 81. Mas eu sei que estou só entrando no mesmo ciclo de autocrítica. Dizem que o primeiro passo para superar um problema é reconhecê-lo, mas não se escuta muito sobre qual é o segundo passo.
Eu gostaria de dizer que não sei mais escrever, que perdi minha intensidade. Mas isso é uma desculpa muito confortável para me jogar no marasmo autodestrutivo da autocrítica e omissão. Ou no caso, de continuar nele. Vejam os textos desse blog. Há quanto tempo repito isso?
Talvez por hoje eu me force a me esforçar um pouco. Talvez eu não aceite o fato de ser uma velha cansada de 21 anos. Talvez eu reconheça que isso é preguiça de viver, é acomodação. Uma versão mais light e covarde de uma depressão. Talvez eu me liberte um pouco dessa persona que eu criei para justificar minha falta de ação em procurar mudanças em mim mesma. Talvez eu me esforce para criticar menos, julgar menos, me julgar menos.
Talvez, talvez, eu comece a tentar.
Como sempre: medo :) bjins pokemon
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