terça-feira, 3 de setembro de 2013

"Tem alguém aí me ouvindo" - perguntei para dentro de mim.

Não, eu não quero escrever. Estou com medo, sabe? Tem coisas estranhas vivendo dentro de mim, numa casinha. Não deu tempo dizer as palavras, elas pularam fora, se vomitaram. Eu queria pureza, pureza numa mente perturbada, numa realidade doente. Todo passarinho que me mostra beleza, me mostra na sua beleza a feiura do mundo. Toda criança inocente que vejo na rua a brincar com seu irmãozinho me mostra em sua pureza o contraste com a realidade. Coisas felizes não me deixam mais feliz. Coisas bonitas me fazem ficar triste e me comovem, porque é trágico ver pontinhos de beleza dentro de um mundo feio, de maldade, de gente cruel, de ausência de generosidade.
Generosidade é sabedoria. Não tem doutrina, eu soube, não tem inteligência, livro, filosofia que traduza o modo certo. (Certo?) de ser viver, estar. Generosidade é aquele pontinho pequeno, branco ou preto qualquer cor, um pontinho tímido, quase inexistente, esquecido com certeza, precisando de alimentação para crescer, dentro da gente. A generosidade tudo entende, tudo aceita. Seria o amor, em um conceito real de amor, onde amor é um sentimento universal (eu sempre disse isso) e não direcionado. É tão raro amor. Amor não é bem isso que a gente sente pelos nossos pais ou que eu sinto pelo meu menino, não, acho que é diferente. Acho que amor, se alguém é (e algumas pessoas devem ser) capaz de sentir, quando se tem, é por tudo, por todos. "Amor de Deus". Que ele tem, segundo dizem as pessoas. Um amor sem restrições, um estado de espírito, alma, eu não sei bem que nome se dá. Mas algo assim, capaz de salvar o mundo. Eu não acredito em nada, mas nisso eu acredito. Nesse sentimento. É minha corda de salvação essa crença, mesmo que eu não consiga sentir isso delineado em mim. Mas é minha corda de salvação contra o meu próprio mundo em mim, que não consegue ver beleza, que ficou sombrio, que perdeu a infância e a juventude. Não sou ingênua como as crianças, não sou leve como os jovens e não sou sábia como os idosos. Sou uma adulta? Não, não é bem isso. Só estou um pouco triste.

Um comentário:

  1. Pokémom, só tu, só tu mesmo.
    http://eudiluido.blogspot.com.br/2012/05/mindwalk.html

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