terça-feira, 3 de abril de 2012

E seja lá o que isso for, o nome disso não é amor

Em minha nuca tua mão treme
Em você, em barco
Você mastro e eu leme
Nossos corpos neste arco.

É um contato alienígena
Tuas costas nuas frias
no meu tato de egípcia
reiventando a agonia.

Te gotejo em cada beijo
meu desejo de te ser.
E aprisionar tua alma
no sofá de minha sala.
Sem saúde nesse auê.

Tanto pouco ainda tenho,
tudo ainda em ti desenho
e me absorve sem querer.
Não me pedes, nem escuta
o som dos passos da minha lua
se escondendo na tua rua,
me embriagando de você.

Me enciumo com o passado
e com as paredes do teu quarto,
com tua blusa, com teu garfo
e com cada teu retrato
de um desconhecido você.

É doente em minha mente,
que de tu já tanto tem.
Mas ambiciona, intranquila
ser teu norte, tua ilha
e derramar em ti eu creme.
Você olha, comedido
Psicopata e tranquilo,
Consciente do delito;
Eu laranja, você espreme.

3 comentários:

  1. Eu gostei de alguns versos mais do que outros, como de praxe. Mas, em todo caso, percebo que está experimentando outros modos de compor poesia. Isso é legal.

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  2. Eu gostei de alguns versos mais do que outros, como de praxe. Mas, em todo caso, percebo que está experimentando outros modos de compor poesia. Isso é legal.

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  3. Drummond, em sua "Procura da poesia", não compactua de meu ideal de percepção poética, mas quem é Drummond? Não é Drummond, são Drummond. Várias faces em um só escritor, assim como você. É nítido o pulsar do seu viver, seus sentimentos expressos no texto, seu respirar ofegante de estudante fiel da vida.. Me impressiona muito sua habilidade, provando que experiência não se constrói apenas com uma velhice, meus sinceros elogios a uma mulher que sei: irá me surpreender mais ainda... Fique com Batman, e boa sorte.

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