Eu quero me livrar de tudo que possa vir a me machucar
Que frase idiota, que atitude medrosa
Mas é verdade, quero me tornar indiferente a todos que a mim o são.
Quero fugir para um recipiente onde só predomine a afeição.
Minha frieza é tão transparente, e tão frágil a friezas alheias
A solidão me é tão inerente, que já tornou-se minha companheira.
Escrever está se tornando tão fácil porque só isso me protege do aço
Irrefutavelmente cruel, que é o desafeto alheio e o descaso.
Ainda me deixo ser ferida por pequenas palavras agressivas
Ainda me deixo fraquejar ante a indiferença de um olhar
Queria ser indiferente, ser alheia a toda essa gente
Não ter do que depender, fora a ternura do meu próprio saber.
Não sentir a rejeição; Se expandir do tamanho de uma nação.
Quero ser firme e forte. Quero sustentar esse porte
Em que tantos que me desferem golpes
Insistem em acreditar.
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