O celular sem bateria ao lado, e você aqui.
E desculpe se eu não sou tão poética ou filosófica,
mas hoje o céu está bem azul, e as nuvens bem claras,
e eu decidi que isso merecia um texto. Você, quero dizer.
Você faz bico e levanta a sobrancelha,
como uma criança presunçosa, exigindo atenção
e eu podia ignorar, e deixar isso passar,
mas eu também decidi que aqui,
onde podemos ver o céu através das nuvens,
é um bom lugar.
você trouxe uma música e falou de um poema
"o poeta fingidor", você citou, e eu vi seus olhos espelhados,
a procurar, em pesquisa muda, reações para suas atos
e aí eu pensei que sim, eu poderia até te ignorar,
mas sem chance de deixar isso passar.
e então eu me vi em frente ao espelho,
e a voz veio baixinha, recriminadora,
"quando você ficou tão vulnerável, sua perdedora?"
não admira que você se surpreendeu, ao saber que era o vermelho...
esquece, eu queria mesmo era uma liga de cabelo.
mas então eu percebi que mesmo que eu deixasse ou perdesse
a criança presunçosa já deixou em tudo sua marca
para que de jeito nenhum eu a esquecesse
no céu, nas árvores
na insônia, no olhar
na cadeira, sua imagem...
apaixonante ao apaixonar.
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