quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Encontro e reencontro além-mar

Eu reencontrei minha versão mais autêntica, além do mar, na distância de tudo o que eu conheço e no que me reconheço.
Reencontrei a sensação de rir no escuro, na chuva, no absurdo, no caos. A sensação de energia nas minhas veias e nos lábios, silêncio. Gelo por fora, calma nos olhos, fogo por dentro.
Eu me sinto assim agora, energizada, viva, silenciosa e estranha. Eu me sinto absurdamente eu, e esse reencontro é algo que não quero que acabe.
Seria, eu me pergunto, a solidão, meu estado mais perfeito?
Até se eu chorar - o que não tem acontecido - a lágrima tem um gosto agradável. Gosto de verdade.
Não há culpa, não há medo, não há esforço de encaixe. Apenas a vida e sua imprevisibilidade causando arrepios em meus pêlos. Sem mais desejos frustrados, necessidades desencontradas, sem mais preces ou apelos.

Eu conheci um doce rapaz de grandes olhos azuis que sempre querem mais.
Ele disse que eu o fascino, ilumino, que minha imprevisibilidade complementa seu temperamento tímido.
Ele me fala em palavras estrangeiras, e tenta entender meu idioma e coração.
Ele o tenta acessar, com seu cavalheirismo belga, o tenta tocar com sua mão.
Pobre desejo vão.
Não há nada inteligível aqui.
Mesmo que fale minha língua, jamais poderá descobrir
Todo o caos que está dentro desse coração
Que se afundar mais sua mão
Somente vai te engolir
.

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