quinta-feira, 30 de março de 2023

Frágil

Por um momento eu achei
Que pudesse pegar todas as coisas em mim
Reuni-las em minha mão em concha
Das mais marcantes às mais banais
E entregar com um sorriso
De esperança
Que alguém fosse se interessar
O que eu não vi
É que a palma da mão é um espelho
Que eu mostro nas minhas linhas
Suas rugas de expressão
Que na contramão
Está tudo que perdi por sentir paixão
Ódio
E desespero.
Que meu apelo
É o mais frágil dos elos
Dos receios
É medo
Eu não vi que tudo o que existe é o medo.

Um comentário:

  1. Cara Kristal...
    Rugas, cicatrizes e marcas de expressão são as medalhas e denúncias de uma vida plenamente vivida. E, oh, sim, eu sei que esse é um pensamento bastante clichê, mas reluto em negar a veracidade dele, apesar disso.

    Aqui estou, me deleitando com mais um belo poema de uma escritora ímpar, por quem ao longo dos anos, desenvolvi apreço enorme e uma profunda reverência, por sua sensibilidade e humanidade.
    Sim, um poema que fala de coisas tão suas, que ressoam em coisas minhas... Como fazem todos os seus escritos. E ainda que o que te moveu a forjar esses versos converse, possivelmente com sentimentos diferentes em mim, ouso dizer, minha cara, que sempre há alguem a observar a palma da sua mão.
    Um dia, verá um olhar a refletir de volta o seu e o reconhecerá, como um igual, mas não será uma imagem sua refletida em um espelho.
    Supondo-se, é claro, que isso já não tenha acontecido.
    Lindos textos!

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