Sinto meu coração confuso
E muito pequeno
Quando meus dedos põem para fora
Coisas que meu cérebro impede de sairem.
Eu era uma criança feita de luz e mar
Mas o passar dos anos deixou minha mente quente
Forte e potente
Roubando cada pedaço de espontaneidade, de liberdade
Transformando-as em cálculos detestáveis
Resultado da lógica inquebrável
De uma existência doente.
Mas por mais que eu tente
Existe algo precioso a ser preservado.
Todo dia que eu me esqueço disso
Ainda assim transborda em qualquer coisa que eu faço
Como a cor que escapa pela borda do quadro
E domina a tela, a parede, a sala
Inunda a minha casa de tinta, transborda pela rua
Me deixa nua
Como fui criada.
E meus olhos se enchem de lágrimas
Tão cansadas, tão sozinhas
Como posso ter deixado tão rápido de ser minha?
Me abraço em mim, estranha e pequenina
Sorrindo por sentir dor, por cada ardência dessa ferida minha.
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