domingo, 14 de fevereiro de 2021

Avisos estranhos no espelho do banheiro (Ou: Tentativa de fuga)

Essa semana eu saí do meu corpo e tentei conversar
Tenho percebido um certo ímpeto de sobreviver
Daquilo que eu achei que tinha esmagado com minha carcaça urgente e profissional
Academicamente soterrada em ceticismo e ignorância
Mas demora a morrer a alma
E essa semana ela voltou, de improviso
Veio visitar minha vida real, desorganizada e sem aviso
Até tentou conversar com pessoas, a sacana
Que pilantra
Confudir os outros com palavras incoerentes
Ousar revelar o adoecimento de minha mente
Quase pedir ajuda, chorar
Encarar meus olhos no espelho
Com a velha cobrança inútil que se faz aos criminosos
Horrorosos
O que fizeram conosco?
Eu sorrio
Sentindo a tensão do fio da sanidade
Que vibra e ameaça romper mediante um empurrão sem cuidado
Cuidado
Digo e sorrio
Dentro do espelho ela se esconde no vazio
Se encolhe ao perceber o risco, ao perceber o frio
Sorrio:
Cuidado.

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