sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Stand By

Menina do olhar cor de petróleo
Tão senhora dos outros quanto perdedora de si
À tua volta os olhares a ti admiração evocam
Em teu cerne se despem os sorrisos em cristais a ruir

O que falta à tua corte que tanto apodrece teu reino?
Que faz a teus olhos os moços serem só bonecos
Se com um ungir de dedo escolheria teu eleito
Se com um tingir em tela, ergueria teu castelo

Mas enquanto tua beleza tanto encanta como ilude
À noite em teu refúgio, tua máscara se desfaz
E dentro do peito a criatura anônima arranha e ruge
No espelho se confunde entre arcanjo e satanás

Mas não demora, não demora, fecha os olhos e dorme
É noitinha, não chora, já já ela vai embora
Pois em algum canto de encanto, o relógio disforme
Do porvir a te salvar, bate a hora, bate a hora.

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