E agora...
Cadê a sua música erudita e sua prosa tão bonita?
Um livre boêmio de coração ferido.
Madrugadas enrolados em lençóis
O amanhecer sendo nosso único inimigo.
Você passaria a noite acordado falando daquele ou do outro quadro.
E quando ficasse claro me tiraria do quarto, e só de lençol, correríamos.
E todos os que o amassem seriam seus escravos,
E os que o criticassem seriam só bastardos.
E eu seria sua deusa por todo o noite e dia.
Mas quando eu reclamasse de algo, de lado me poria.
Falava que sexo era o suprasumo do amor em poesia pura
Ressucitava autores ausentes, se derramava em verborragia.
Atinava ordens a seus admiradores,
Eterna criança megalomaníaca
E em momentos em que só te restasse o pranto
Era a meu ombro que recorria
Mas e agora, meu caro personagem ensaiado?
Onde está sua música erudita?
Sua imagem tão aclamada
Foi forjada e foi vendida
Não enxergo mais a beleza selvagem
Do menino que pintaria o céu em poesia
Vendeu-se ao mundo, ficando imundo.
Fracionadamente, secou seu mel
Na vaidade que o consumia.
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