terça-feira, 8 de novembro de 2016

Uma despedida ou apenas um dia ansioso

Ah, hoje.
Hoje, hoje, hoje.
Seria um bom dia para desaparecer, se despedir ou explodir.
Está tocando aquela música irritante de navalha na caixa toráxica.
Está soando um chamado, uma lembrança de muito antes de todas essas minhas corriqueiras danças.

Hoje eu ouvi uma música, eu andei na rua.
Estava caminhando pelo fim de tarde azul, pensando que seria um bom dia para morrer.

Os pássaros estavam parados, fazendo um prolongamento natural às árvores estáticas de mais um dia quente, sem vento. Familiarmente anômalo.

As pessoas pareciam um pouco mais irreais do que de costume, intangíveis. Andando a meu lado mas se eu as tocasse, talvez dissolvessem, talvez eu me dissolvesse, pensei com atenção.

Eu estava muito tranquila, com passos lentos, conformados.

Será, será, será.

Será que é hoje, eu pensei. Que o fio se quebra, será que é hoje o dia que esteve me observando, espreitando, sem muita discrição?

Eu não sei bem o que pensei. Quando isso começa, fica tudo borrado, desesperado, borbulhando, uma ânsia de vômito de algo...Mas o que?

Me parece bem claro que tem algo escondido e eu só saberei o que é ao dia fatídico. Mas uma coisa é certa: Eu sempre pensei isso.

"É normal não ter sonhos?"

Sempre me pareceu distante o futuro, a realidade. Todo dia, todo momento bom, já parece uma lembrança triste e as horas uma membrana muito fina escondendo algo que já estou quase perto de lembrar.

Estará na hora de voltar?


(Eu posso acabar esse texto agora.
Acabar com tudo em segundos.
Eu posso respirar fundo e me tornar outra pessoa.
Eu posso sorrir macabra e te convencer que é tudo um brincadeira.
Impulsividade
Pode ser, ao final, minha causa mortis verdadeira.)