sábado, 27 de agosto de 2016

Senhorita bomba atômica

Eles dizem "Olhe o dano que ele lhe causou",
Mas deveriam saber melhor,
Olhe para o rosto da garotinha
Explodindo numa gargalhada.

Ela correu pintando todas essas paredes de branco
Ela jogou fogo ao chão com seu senil coração
E você pensa em pegá-la, pensa em alcançá-la
Pensa em um passo a mais, em fogo, em prata e bala.

Você é gentil como um punhal, acolhedora mortalha.
Não tem marcas nas mãos, tem olhos de perspicácia.
Mas ela desvia e escorrega,
Ela é esguia e rápida.
A garotinha sorri,
Deliciosa batalha.

E quão amável foi deixar-te pensar
Que toda essa ação
Iria glorificar-te
E te levantar desse chão,
Com um presente tão doce
De indecente emoção
Um apelo tão óbvio:
Destruir coração.

E você gastou suas tintas,
Você abriu suas malas,
Você chutou sua porta,
Vandalizou sua casa
Mas quando olhou para trás,
Para o rastro que deixava,
Apenas uma listra negra
Bem na parede da sala.

sábado, 20 de agosto de 2016

O cansaço é apenas a sensação anterior ao total esquecimento.

É engraçado, é irônico, é um pouco bobo.
A idade é realmente bem superficial, com o passar dos anos.
Em círculos eu transitei, me iludindo por uma década com realizações com as quais sonho desde minha inocência.
Mas todas as coisas que eu toco dissolvem-se ao meu contato: Viram pó, viram partículas. Incorporam ao ar ao meu redor e enchem de novo meus pulmões, tão pequeninas como no fundo sempre foram.
Eu pensei que havia muito a conseguir, mas tudo que eu tinha que sentir já estava pulsando como uma artéria incandescente dentro de mim.
Mas eu, e como poderia ser diferente, não vi.
Eu não vi.
Eu sentei-me e esperei pelas coisas erradas: Criança preguiçosa como eu, sempre esperando afeto, futuro, revelações.
Eu, que era raivosa e vermelha e em meus dedos trazia fúria e com minhas unhas arranhava meu próprio coração.
Eu sempre estive bastante consciente da minha inaptidão em lidar com o tempo e com a doçura que me é oferecida pela natureza.
E sempre estive também, abrindo a pele de tudo que toco e extraindo seus órgãos e vísceras, os abraçando com meu corpo frágil de ossos sob a pele, tentando assim sentir qualquer angústia que me tornasse menos leprosa. Sentindo a paixão por tudo machucar minha pele e em seguida dissolver-se em nada, me trazendo essa sempre amiga, sempre retornante, sempre raposa, sensação tranquila de que tudo se torna irrelevante no final. E o que final é simplesmente algo que ocorre diante do mais inesperado e mínimo estímulo, de uma leve mudança na corrente de ar.
Será sempre assim?
Ou vou me deparar com o contrário em mim covardemente escondido?
Quantas vezes mais vou precisar matar-me dentro de mim?