terça-feira, 19 de julho de 2016

This is my own carrosel

Eu tomo as coisas.
Eu tomo as coisas por completo, tomo até exauri-las, como se eu precisasse muito delas.
As tomo como se precisasse de cada gota delas, metade não é o suficiente, porque a verdade é que não preciso de nada delas então se hei de tomá-las, se hei de dançar esta dança indecente, psicologicamente vulgar, se hei de jogar a mim mesma em um tabuleiro, tenho que ter tudo.
É o meu consolo para o choro da madrugada, para a estranheza.
Mas eu sou estranha.
Eterna estranha e alienígena, com as pontas dos dedos leprosos e os olhos cheios de lágrimas, de desistências e inércias. Com meus impulsos e autodeterminações vazias
Enscancaro este cenário, cheio de coisas estranhas que não entendo.
É esquisita a textura da árvore quando passa o vento, permanece intacta, o céu ao entardecer e você.
Seja lá quem for você.
É estranho o sorriso casual, a garganta gasguita, o toque voraz.
É tão desnecessário que me faz chorar.
Porque a vida inteira eu fui estranha e tomei coisas, e forjei papéis e os rasguei depois com uma banalidade que faz aquilo de mais íntimo, escondido, de puro dentro de mim chorar.
Mas eu vou continuar tomando coisas porque eu sou essa mas também sou outras. Eu sou gentil mas também gosto da ideia de devorar pessoas.
Na prática eu sou uma otária e não tenho nada algoz em mim além das minhas próprias vontades, sensações e segredos.
E eu os guardo, às sete chaves em um diário aberto. Da minha mente e às vezes os transmito com gritos e lágrimas e palavras incoerentes e uma vida incoerente procurando um lugar.

Jogando estrelas na água.