segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Eles são só crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?

Eles diziam que os adultos eram máquinas, robôs mecânicos, sem alma, sem sonhos. Robôs que continham em sua programação apenas uma escada de metas frias e objetivas, sempre insatisfeitas. Sempre vazias.
Eu me preocupo, às vezes.
Estudo. Trabalho. Dinheiro. Metas. Coisas que as pessoas fazem, que também parecem atrativas. Programar uma viagem. Comprar um carro. A triste instrumentabilidade que envolve a vida.
As crianças não entendiam os adultos, como poderiam? Tem tanta coisa a fazer, a resolver. Tem tanta coisa jogada na sua cara, esfregada nas suas vontades, de um jeito cru e humilhante.
Os adultos abandonam seu direito de ser crianças, para cuidá-las. Para deixá-las mais um tempo que seja numa infância cada vez menos infância.
Mas nada disso importa, não é mesmo? Não, não é mesmo.
É preciso fazer o que se espera em certa medida, é preciso solucionar os problemas. É preciso se comprometer.
Hoje eu sou um terror, realmente algo meio alienígena para minha antiga criancinha.
Me desculpe, querida, mas você sonhava em ser eu, lembra? Antes de saber o quão exaustivo e vazio isto podia ser. Mas parecia-lhe bonita a imagem, não é mesmo? Ver-se esguia e um pouco pálida, em um blazer e porte social. Você era uma menina tão menina e com uns sonhos tão estranhos desde cedo...
Não, eu não sinto falta de ser criança. Ser criança é neurótico e inseguro. É sem controle. E ser adulto é a necessidade de controlar tudo ao seu redor e a frustração em não controlar-se, mesmo com o passar do tempo.
O que eu queria eu não tenho, eu não posso. É uma liberdade que me deixe livre de amarras das quais eu nunca estive solta. E essa liberdade eu só posso encontrar em mim mesma, em meu íntimo. Enquanto trabalho, vivo, e luto para sobreviver. Enquanto tenho uma rotina e um horário pois não posso faltar comigo mesma e com os meus. Mas por dentro - ah, o grande desafio - conservar assim mesmo aquela chama, aquela centelha.
Aquilo que te faz amar o céu, o sol, correr na grama, adorar às eventualidades, sorrir até tuas bochechas doerem.
Minha mãe estava certa, ser feliz não é difícil, é simples. Está nas coisas simples.
O difícil é conseguir sentir as coisas simples, em meio a tantos enlinhados necessários, tão mais complicados que te separam delas.
Mas vamos lá.

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