sábado, 31 de outubro de 2015

The Hunger

O que eu sinto por ele? Você sabe o que eu sinto por ele.
Eu quero devorá-lo.
Quero engolir tudo o que o rodeia, o guardar em mim.
Quero tocar sua alma, encontrá-la. Enfiar minhas mãos dentre suas entranhas e apertar seu coração até senti-lo estagnar. E então reavivá-lo.
Eu quero ver sua alma, porque me encantam as coisas que se mostram.
E não me canso jamais de adorá-la, porque ele a faz translúcida para mim.
Ele me mostra tal como é e por isso eu a idolatro.
A chupo como uma manga recém saída do pé, recém nascida.
Contorno seus sabores com meus dedos, os cultivo em minhas raízes.
E por isso ele precisa de mim, ele se fixa em mim, como se eu lhe fosse o chão.
Porque todos nós queremos ser devorados e idolatrados, mesmo que por canalhas e mentirosos.
Nós queremos devorar e ser devorados.
E eu o deixo devorar meu tempo, meu zelo e meus cuidados. O deixo consumir minha vida líquida, a única e extraordinária que carrego comigo.
Porque quando o olho vejo um flash de coisas que minha veia sociopata e antipática não consegue explicar.
E mesmo depois desse tempo, depois de decifrar suas razões lógicas, ele instiga toda minha falta de racionalidade.
E devorá-lo diariamente apenas vêm me deixando mais sedenta.
Eu o quero pela vida toda, do jeito mais sincero que encontro em mim.
E o quero vivo, por isso lhe cuido. Porque ver seu sorriso vivo mantém a chama viva em mim.
Que a chama não se apague.
Que a fome não acabe.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015