segunda-feira, 27 de julho de 2015

Pancada

Minha cabeça dói
como a maior ressaca do ano.
Gosto amargo de pântano.
Uma hora, eventualmente,
em um dia de domingo,
Tudo vem à tona,
Corroendo e consumindo.
Tudo
Te agarra
Pela gola.
Te empurra na parede e cospe na sua cara o que você não queria ouvir.
Te joga no chão, e te pisa com sarcasmo.
Te acorda.
Meu coração está ausente.
Minha cabeça em chamas.
Minha alma, cada vez mais fios brancos.
Dentro da gente...
Tem tanta coisa que a gente não entende.
Dentro da gente tem o furacão.
Tem a esganada inconsequente,
na hora da paixão.
O sangue que espirra do sorriso
no momento mais macabro.

Meu amor.

Meu amor é insistente.
Ele resiste à minha mente.
Ele segura meus calcanhares.
É o fantasma da madrugada,
o assobio que me anuncia
que predestina minha mortalha
E assedia.
Meu amor é canalha,
É minha gargalhada falha,
Minha voz um pouco rouca,
Meus dedos já tão cansados,
De cansaço de carrasco,
Sádico e masoquista,
Um irredutível ateísta,

Um viciado anunciado.