quinta-feira, 11 de junho de 2015

Anotações

I

We have little things
living inside of us
They are insects. And they feed.
They are born by accident, and they may breath
If we let them.
They feed of our hollows. Of our fears
Most of all, they feed of our cruelty.
They are little monsters.
They are born in the shape of thought
And come out in the shape of words
Sometimes actions.
They seem stronger than anything when they come out
But they actually only have the strenght we gave them
We fed them.
If we can just for a minute,
Make them silent
Shut the fuck up of them.
If you can hold them
Close your eyes
Just don't let them out,
They will vanish.
Evaporate.
And we may, for a moment
Not be, of course,
not right away.
But we may just feel
That we can be
Eventually
Masters of ourselves.




II

We are little persons.
Little beings,
In the middle of so many other little beings.
And no one of them will ever feel
Your flaws
As hard as you do.
So sometimes it gets hard
To look in the mirror,
'Cause we are stranger persons.
And sometimes
A touch
In the skin
May burn a little.
A word or a look
May become frightening,
If you don't feel it right.
We are such little ones.
Such broken ones.
And our dark sides
Are always so dark,
That we feel we must hide.
Because some people hate us,
Then you think:
"Maybe they're right
Maybe i should hide the things they may hate
To the people i like"
So sometimes
You don't know quite
Who you are,
Like this,
In the middle of dawn.
But other times
You find a person,
Another little one.
And they see you naked,
They see your naked eyes.
And that takes time,
'Cause they must suffer in your hands
Before they can claim
They saw your naked eyes.
And so it happens,
And they see it:
Your hatred
Your crying
Your frightening
And so they smile at you.
They really smile at you.
And that is,
Indeed,
An unusual milacre.

domingo, 7 de junho de 2015

Louca por ele.
Por sua pele com gosto de chamego, sua boca com textura de fruta madura. Seus dedos sacanas, sua alma em chamas, sua loucura.
Louca por seus rompantes inesperados de risos, paixão ou ciúmes. Por seus carinhos discretos, descontraídos, despretensiosos. Louca por seu olhar feroz, por seu suor, por sua voz. Por seu falar bonito, tranquilo, de menino. Por sua doçura, seu sorriso bobo, sua candura. Louca por seus humores, suas histórias, suas dores. Os assuntos dos quais ele só fala baixinho, os outros dos quais ele fala sorrindo, e aqueles dos quais fala corando.
Louca por sua timidez, sua sabedoria, sua sensatez. Seu jeito maduro, mas brincalhão. Suas provocações, suas declarações. Seu olhar de amor, de saudade, de calor, de vontade, de concentração e de emoção; De ansiedade e de admiração.
Louca por ele, por tudo que já vi dele, por tudo que vou ver ainda.
Louca pra descobrir.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um conto já contado, dessa vez ao contrário. (O sonho virou real)

Acordou atordoada no silêncio azul de seu quarto. Aquele silêncio que de tão ensurdecedor faz um zunido nos ouvidos.
Saiu das cobertas, atordoada, procurando as sandálias e deu uma volta na casa. O que estava faltando?
Estava tudo limpo, como a diarista deixara.
Sua bagunça pessoal devidamente arrumada em sua mesa de escritório. Uma ainda jovem bem sucedida advogada. Tudo o que sonhara.
E o que faltava?
Jogou a camisola na cama, pôs uns shorts e camisa. Olhou a cara pálida no espelho. Cara de falta. Sua pele estava bem hidratada, mais jovem que seus 25 aparentavam. Seus cabelos mais sedosos que sua genética propiciara. Tinha cheiro de grana, correria e isolamento. O que faltava?
Pensara em ligar para alguém, olhou sua lista telefônica. A verdade é que estava cheia. Desde o último contrato grande, as simpatias se acumularam. Em uma noite fria de solidão tinha até companhias esperando, se assim desejasse. Tinha uma família a alguns quilômetros. Tinha um caminho cheio de possibilidades.
Mas o que faltava?
Calçou os chinelos e foi para a rua. Teve a impressão de a porta abrir para que passasse. Mas não acreditava em espíritos e menos ainda em gentilezas. O que não lembrava?
Andava apressada, já um pouco incomodada. Ora ou outra uma vitrine lhe trazia um pôster antigo. Do gramofone do velho solitário da loja de LP's soava um blues nos anos 30. O que lhe rasgava?
Pegou no peito, na sensação de queimação. Nos seus dedos a ausência de uma mão. Um sufocamento de falta de ar, de falta de chão. E então, ao se apoiar na vitrine de uma loja qualquer de antiguidades, um porta retrato a fitava.
Seu sorriso era antigo, era gentil, era tenro. Seu sorriso vinha do olhar, da curva leve dos lábios, do passado e do seu presente.
Onde ele estava?
Ela foi ao chão, sufocada pela falta.
E ao bater no asfalto, abriu os olhos no sofá de uma sala.

1 segundo.
Outro.

E o alívio.

Abraçou o braço que a abraçava. O cheiro de casa inundou-lhe as narinas. No conforto do aperto do sofá onde adormeceram, ela apoiou-se em seu ombro direito, vendo os sinais em sua pele cor de leite. Seu cabelo enrolar-se como o de um anjo. O sorriso adormecido, com a mesma sensação de luz.
Ele.
Respirou aliviada.
Nunca deixaria que ele fosse a lembrança do que lhe faltava.