sexta-feira, 29 de maio de 2015

Anjo

Eu olho seu rosto:
A firmeza de seu olhar.
A serenidade de seu espírito.
A bondade de suas tentativas, de sua fé em mim...
Eu adoro a sua vida.
Eu tenho tanto orgulho dela.
Essa fortaleza imensurável,
Presente do universo,
Apenas emprestado a mim.
E não é mais do que eu poderia sonhar?
Ela pode partir da minha,
me repartir em duas...
Amanhã ou em vinte anos.
Eu sei, eu sei.
Mas hoje ela está aqui.
Ela tranquiliza os meus dias,
como ele amortiza meus sentidos.
Senta e conversa com meus demônios,
Explica porque devem se acalmar.
E me sorri, depois de tudo isso.
De longe,
do retrato,
o vejo agora.
O verei sempre:
Ele sorri para mim.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

About making love.


Abraço teu rosto com força, o meu enterrado em teus cabelos, até o momento em que finalmente rolo de cima de você, me jogando na cama ao seu lado, mas ainda com os braços ao teu redor.
Olho para seu rosto, tão arfante como o meu e saboreio com muita atenção o sutil momento de transição entre o nosso olhar intenso ainda preso naquela conexão - ambos pasmos com o que acabara de acontecer, em direção ao sorriso largo que brota de nossos lábios, ao mesmo tempo, um sorriso cansado e aberto, de ponta a ponta. O nome desse sorriso é cumplicidade.
Então eu, que ainda me sinto amarrada em ti, mesmo que já tenha desentrelaçado minhas pernas de tuas costas, me chego de novo em tu, beijando tuas bochechas, olhos e nariz. Sentindo aquela sensação de plenitude e paz, a sensação de estar em casa.
E quando te olho de novo, teu sorriso é ainda mais largo e na imagem que vejo tenho minha obra de arte preferida: Tua felicidade.
Teus olhos apertados no sorriso, mas tão brilhantes que ficam até mais claros; Teu cabelo desgrenhado - loiro e lindo, com os cachos cada vez mais cachos, pois está grande, e te faz parecer um anjo ainda mais que o normal; E o teu sorriso...Ah, aquele sorriso. O sorriso que se forma com teus lábios carnudos e convidativos e transmite ao mesmo tempo toda a ingenuidade preferida.
Esse momento, esse silêncio e tudo que eu sinto nele, por si só já é um ato de amor.

Acho que fazemos amor mais do que imaginamos.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Incontinenti

Tracei um círculo com grãos no chão.
Desenhei uma linha, levando seus pontilhados ao outro extremo do salão.
Sentada e cuidadosamente, como uma criança que colore; Tentando criar planícies que só eu podia ver. Fazendo os cálculos que só davam certo na matemática da minha mente.
Levantei-me e derramei mais areia, ao meu redor e em todo lugar. Jorrei para os cantos, desfazendo minhas simétricas criações. Redesenhei mil vezes cada escultura, escupida com paciência. E para a satisfação de cada uma que fiz, com uma porção infinitamente maior de prazer, sem remorso algum a destruí.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Houve um tempo


Houve um tempo em que textos mais simples, com imagens mais imagináveis traduziam bem sentimentos novinhos. Recém nascidos, os primeiros de seu nome.
Houve esse tempo em que as necessidades eram jovens, eram bem mais mente que matéria. Bem mais sonho que atrito no chão. Bem mais residentes da minha imaginação.
Estive lendo e lembrando, lendo e lembrando...
Lembro disso e pela primeira vez em muito tempo, não me ocorre uma nostalgia ferina, ferida, mordida e machucada pelo meu eu antigo.
Não me corrói uma amargura que não me pertence, que não é de minha idade. Ou uma repetição de imagens, de figuras ilustrativas, com aquela sensação cansada...
Me corre o tempo apenas, como vem correndo e não para, embora eu continue pedindo com jeitinho que o faça.
Já não escrevo como antigamente - É, isso eu sei. O inferno dentro de mim já não é tão puxado para a poesia.
Mas nada encontra-se morto, não, não é bem ao caso.
Ao contrário, depois do envelhecimento de tudo que é novo, vejo que talvez sempre vá haver um próximo novo. Sempre uma florzinha de espécie desconhecida brotando inesperada na floresta desmatada.
Mas o que é isso? Não é um bom texto como os antigamente,
É só um devaneio de nada...