quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

talvez milésimo texto sobre ele

Tô com saudade dele.
São 03:29 da manhã e ele está na casa dele, provavelmente deitado daquele jeito de barriga pra baixo e cabelo assanhado. Talvez com a cara um pouco inchada de chorar vendo Pequena Miss Sunshine e dessa gripe que o pegou de jeito. E eu tô aqui, com saudade dele.
Não brigamos e nem nos amamos pessoalmente hoje. Não é uma data especial para nosso namoro, nem ficamos o dia sem nos falar. Mas é o meio da madrugada, e tudo que olho ociosa me lembra dele. Tudo me dá vontade dele.
O bom dessa saudade é que é uma saudade gostosa. É uma saudade com pitada de felicidade porque tem sido tudo tão incrível. Então eu alimento essa ausência temporária com lembranças longínquas, mas principalmente com as mais recentes - cujo gosto ainda tenho na ponta da língua.
Alimento com o sorriso de menino dele que eu vi tantas vezes ontem. Com a gargalhada fácil que eu escuto no telefone. Com o abraço quente enquanto andamos e caminhamos tão juntinhos como se fôssemos um só.
Com esse mesmo abraço enquanto assistimos um filme no cinema, e mesmo super concentrado no filme ele me abraça com os dois braços e encosta a cabeça na minha.
Alimento com como ele me faz sorrir de graça, do vento, do nada. De como nossas piadas se completam em bobice e diversão. Em como ele se empolga (e eu também) discutindo quando discordamos, mas não esquecemos de interromper a discussão de minutos em minutos para rirmos de nós mesmos.
Alimento com o seu olhar de menino vendo brinquedos, que me deixa com um sorriso besta e vontade de ficar só ali, o observando por horas. O achando cada vez mais perfeito. E ao mesmo tempo, alimento com sua mão ousada em um banco traseiro de táxi ou com seu longo beijo delicioso - porque a boca dele tem o gosto mais incrível que já senti.
Alimento com nossos planos - já tão lindos. Seja para nossa primeira viagem, seja sobre como vamos lidar com o fato de Clint Eastwood ter morrido quando nossos filhos nascerem. E como é natural falar disso com ele e sonhar junto, sem deixar nem por um momento de sentir felicidade só em pensar nisso.
Alimento com o jeito como ele indefectivelmente se envergonha com elogios. E como ele diz que "isso é muito difícil" e eu não entendo bem por que, porque é tão fácil ver toda essa beleza nele que eu só queria contar um pouco para ele, assim, baixinho, para que quem sabe ele veja também.
Alimento ainda e talvez principalmente com seu olhar. O seu olhar emocionado quando eu digo para ele o quanto ele me mudou, o que ele fez por mim desde que chegou, como ele me salvou. Esse olhar, fixo nos meus olhos, corajoso como ele, e sensível como seu coração alimenta não só essa saudade, mas todos os minutos do meu dia. Me dá algo pelo que lutar, pelo que viver.
E é por isso que esse já é bem o décimo texto que escrevo sobre os pequenos detalhes dele, é por isso que esse texto flui tão fácil, é por isso que são 03:41 agora e eu não tenho ele comigo, e sim, sinto saudade, mas o sinto dentro de mim.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Detalhes



Enquanto gasto meu tempo, esperando a hora de finalmente vê-lo, passam pela minha mente momentinhos e detalhes, preciosos recantos de felicidade, acumulados nesses quase 5 meses.
São detalhes preciosos, como grãos de ouro em meio ao deserto do mundo. Pois eles iluminam-se em meio ao marasmo. Eles são tesouros que eu quero guardar. E são muito mais que ouro,
São pequenos templos de amor.
Seu sorriso envergonhado, quando olha para baixo ou para o lado. E se sente constrangido em ser elogiado, com seu "Ah meu Deus", que posso ouvir em minha mente agora mesmo. Como pode ele não ver o quão incrível é?
Sua risada ao telefone, que inevitavelmente me faz sorrir também. É o som mais tranquilo do mundo, é o que eu queria ouvir todos os dias.
O jeito como ele me abraça, e esconde meu rosto em seu peito. E podendo aspirar aquele aroma perfeito, eu me sinto segura de qualquer coisa no mundo.
Suas mãos e braços gentis, quando segura minha mão ou me envolve em um abraço ao andar. Sempre me protegendo dos carros ou de qualquer perigo.
A felicidade que sai de seus olhos, quando às vezes nos olhamos em silêncio, fazendo juras silenciosas de amor. E o modo como seus olhos às vezes ficam marejados, é simplesmente a visão mais linda do mundo. E só de lembrar dela, os meus ficam também. Porque aquele olhar é sem dúvida a visão mais bonita que existe.
E quando ele me ergue do chão e me abraça, e eu sinto vindo dele todo o amor do mundo. E como aquele abraço me ergue do chão, minha vida se ergue da normalidade e se torna essa experiência extraordinária, que só estou tendo por causa dele.

E seus trejeitos: seu jeito de arrumar o cabelo em frente ao espelho, o modo como sorri quando está comendo, o modo como abraça minha barriga quando está cochilando, o jeito que me cumprimenta de longe quando nos encontramos, seu olhar atento e sério quando está assistindo um filme, seu tom doce e inocente quando pensa em voz alta sobre assuntos aleatórios, o modo como se empolga falando sobre as coisas que gosta, como se anima planejando memórias futuras comigo, seu "Ah, sai daqui" e como bagunça todo meu cabelo e minha cara e de quebra ainda me faz morrer de rir por isso, seu humor leve e também mordaz que eu adoro, e sua gentileza tão maravilhosa. Como não amar cada pedacinho dele? Como não guardar cada um desses detalhes lindos, com todo o amor do mundo?

domingo, 8 de fevereiro de 2015

So unimpressed but so in awe

Pequenos cantos da decepção familiares,
Meus inferninhos particulares.
Hoje é um daqueles dias de cão,
Em que o céu pesa como algodão molhado sob nossas costas.
Eu escolho meus fantasmas, cuidadosamente.
Com os dedos os aponto, lambuzando suas pontas,
Com o doce de suas derrotas.
Eu degusto desse gosto, lambendo a ponta dos dedos, com delicado desgosto;
Revisitando o amargo por vezes.
Me torturando um pouco mais.
Me faz tão bem fazer tão mal:
"So unimpressed but so in awe",
Eu não mudei nem um pouco afinal.

Tenho meus personagens,
Minhas lágrimas na manga,
Minhas frases manjadas,
Meu refúgio nessa cama.
Me afogo em um travesseiro,
Aspirando profundamente o desespero,
Ou num corpo derradeiro,
Que me traz escape passageiro.

Fazendo rimas ruins,
Sempre as mesmas imagens.
Compondo uma sinfonia desafinada,
Nas retinas de vossas miragens.

(Intimamente,
anseio tudo que não presta.
Me regozijo com as imagens,
De dentes afiados em minhas pernas.
Vejo anjos em seres selvagens,
Pinturas clássicas em velhas telas.
Iludo um pouco a todos,
Iludindo a mim mesma.
Apenas na busca manjada,
Daquela velha certeza...)