domingo, 23 de novembro de 2014

Sonho

Ao meu redor, tudo está em seu lugar. Estou sentada em minha cama, em meu quarto de paredes brancas e livros na estante.
A Tv ligada ressoa algumas vozes ou músicas um tanto familiares.
A atmosfera me traz um aroma adocicado e vegetal. Da janela do meu quarto, o corredor me traz feixes de luz que atravessam suas frestas.
São feixes cor de ouro, cor de luz e sol, trazendo aquelas familiares e minúsculas partículas de ar que se enfatizam em frente generoso foco de iluminação.
Estes feixes invadem meu quarto de nublado, fazendo reflexos nas paredes e nos lençóis e no rosto mais precioso desse planeta, do rapaz que descansa as pálpebras, deitado em meu colo.
Faço cachos em seus cabelos ondulados e olho para baixo, deixando escapar um sorriso.
Ele tem os olhos fechados, calmos, meditando um pré-dormir.
A luz que incide sobre seu rosto traz à tona o loiro de suas sobrancelhas, dos primeiros fios de cabelo das costeletas, que nascem claros como cabelos de anjo.
Uma corrente de ar traz uma lufada de cheiro de natureza e quando olhamos para frente, vemos pequenas pétalas vermelhas adentrando pela janela, vindo de uma robusta árvore de flores vermelhas que podemos ver através da janela, no corredor.
Ela estende-se por um perímetro indefinido, com seu grande tronco antigo, criando ramificações e raízes por todo o chão, adentrando no azulejo de maneira inexplicavelmente coerente.
Suas flores vermelhas contrastam com o ambiente parcialmente azulado, com os feixes de luz áureos, ilustrando com cores fortes e cálidas nosso inexplicável sonho.

(Todos os dias assim. Mais imagem, menos imagem. Todos os dias são um sonho.)

Diário

Procuro falhas de caráter na sua figura,
Encontro várias
Quero mastigar todas.

Penso nisso enquanto te olho,
Deitado sob mim, com tua boca entreaberta.
Teus músculos e ossos formando padrões adoráveis em tua pele pálida e macia.

Quebro tuas palavras em pedacinhos,
Na instabilidade de minhas decisões,
Na sagacidade de minhas análises,
Sempre as mais parciais possíveis.
As desconstruo a meu bel prazer,
enquanto brinco de modos de te dar prazer.
Enquanto tiro o pino da minha granada no teu ser.

Passo as mãos por ti,
Tenho um pouco de medo da intensidade do meu desejo.
Quero devorar-te.
(Não, não sei ser saudável.)
Quero degustar tua pele, sugando cada gota do teu suor.
Saboreando-lhe o gosto,
Este doce insosso
Desde o último mês de agosto.

Aprecio suas imperfeições com adoração cega,
Te envolvo em minha obsessão, sem nenhuma reserva.
Pintando o teu quadro, na sala de minha euforia,
Andando com tintas na manga, sem planos B na poesia

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Video Games

(Ao som de https://www.youtube.com/watch?v=cE6wxDqdOV0 )

Tirava-lhe o vestido cor de rosa em uma tarde azul.
A camada azulada se estendia pela janela entreaberta do quarto, calma como a música.
Serena como o contato entre suas mãos.

Sorria-lhe às vezes, quando se distraia sem perceber, e diziam-se todas as coisas de amor. Dizia-lhe também no ouvido, quando estavam em um local lotado e ninguém os via. E então ela o olhava e segurava sua mão com a firmeza de quem tem certeza.

Quando passaram por "Ela", aquela que o tinha feito sofrer, ela teve vontade de abraçar-lhe pela cintura, dizendo em silêncio que jamais iria fazer-lhe chorar. E ele agradeceria com um de seus beijos tão ternos como uma música doce, dando-lhe doses de conforto e acolhimento com sua paz.

E então a sós e longe do mundo, seguravam um nas costas do outro, olhando-se: encarando um o mundo do outro. E de repente a música encaixava-se: Em suas tardes preguiçosas, de risadas fáceis assistindo televisão ou jogando videogames*. Em suas brincadeiras e danças, ouvindo músicas e fazendo-se rir. Realizando sonhos infantis e quase esquecidos. Sujando-se de tinta, de cócegas, de rimas. Dizendo um ao outro, com a naturalidade do silêncio: "Você pode ser você mesmo comigo.", e compreendendo o verdadeiro sentido da liberdade.
Em suas conversas longas, sobre temas antigos que às vezes a faziam chorar. Em suas tardes eternas, encarando um ao outro, sussurrando juras de amor. Entrelaçando as mãos. Sentindo na pele o gosto concreto do amor. Perdendo-se no que parecia uma montanha russa de sensações incríveis, desabrochando umas após as outras, como flores de um galho até então morto, acendendo ante a mais fantástica primavera já sonhada.

Encaravam um ao outro, as mãos envolvendo-se mutuamente. Os olhos café de ambos, como o café que adocicava com seu amargo suas noites na faculdade.
E eram um, então.
E o mundo agora, definitivamente,
Era um lugar fantástico para se viver.

domingo, 9 de novembro de 2014

Saldo

Ando em passos lentos pelo chão,
Encarando com melancolia os estilhaços do furacão.
Em um canto vejo pedaços de teus sorrisos,
Feridos e repartidos.
Meus ídolos caídos.

Vejo manchas vermelhas na parede,
Que foram jogadas por labaredas de fúria,
Vejo pedaços de promessas e sonhos,
Esquartejados em atos de loucura.

Andando um pouco mais, com essas pernas já fracas,
Vejo um movimento por baixo das cortinas:
Uma silhueta ofega devagar,
Está muito cansada e coberta de cinzas.

Me agacho ao seu lado, limpando a crosta monocromática,
Quase sem forças, piscam para mim duas pálpebras.
E com algum alívio as vejo piscar.

Com minha boca rubra, de sangue escorrendo
Pelos golpes levados e desferidos a contento,
Beijo esses dois receptáculos de meus sonhos.
E ao vê-las abrir, me mostrando teus olhos cansados,
Café do dia passado, insosso e amargo,
Aquela expressão taciturna do amor machucado...
Penso:
Como posso fazer para consertá-los?

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Etílico (Ou "Para onde foram suas asas, anjo?")

Inócuas tentativas de me balear
Mas minha mente é uma guerrilha.
A pólvora sinto na língua,
E a saudade chora à míngua.

Não estou aqui, isto é só uma carcaça
E teu beijo esses dias tem gosto de cachaça.
Passa rasgando com tuas palavras-navalha,
Me arranhando, tuas unhas debaixo de minha saia.

Tu segura meu cabelo e suga meu pescoço,
Derrama em mim todo teu desgosto
e me joga num canto sem carne, só osso.

Preciso dos teus maus tratos
Ofegar no teu assoalho
Enquanto te vejo amar putas na sala,
olhando em meus olhos, enquanto as rasga.
Sorrindo com tua boca de anjo canalha.

Palavras nunca dantes ditas a um antigo espelho quebrado

Olhando em seus olhos pedantes. Tão cheios de certezas precoces, precipitadas, fadadas a precipícios.
Olhos vivos e divertidos, zombando daqueles ao seu redor, como quem carrega em segredo um tesouro do conhecimento...
Mas isso não é verdade, é?
Me pergunto como é o ar aí de cima de toda essa prepotência. Seria rarefeito este raro efeito que dá?
Me pergunto se não sufoca um pouco, muito embora...
Eu já saiba a resposta:
Não agora.

Agora o ar tem gosto de carnaval, de festa todo dia, de maciez, de energia. Tem uma elétrica corrente entorpecente, essa droga que é acreditar que tanto se sabe.
Mas quando olho em seus olhos juvenis, proferindo essas verdades vis, cultuando a si mesmo como o Deus da religião absoluta, lamento.
Vejo em prospecção, olhos de um ancião. Recebendo a visita de três fantasmas...
Mas não serão três, serão mil. Serão todos que já se viu. Te importunando com desconstruções.
Vejo um arrependimento amargo, tristes realizações nos últimos segundos.
"A vida não é curta. Ela é longa",
é verdade.
Dá tempo de acumular muita vaidade.
Dá tempo de destruir muita beleza.
Mas que pena, que desperdício...
Alguém que um dia foi um criança com tanta beleza,
parecendo até um filho da natureza,
e gozando de uma sorte que hoje joga fora...
Nesse túnel da inflexibilidade, da verdade inabalável...
Visando ver uma claridade irremediável!

Mas existe túnel mais escuro?
Ora, o que é isso. Talvez só impressões de uma mente omissa,
Mas parto apenas de uma premissa...
No tocante a você,
Não é a primeira vez que prevejo o futuro.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Limões Verdes Frios

O encontrou no lugar de sempre, mas que parecia mais uma lembrança do "nunca mais". 
Estava mais belo, alto e esguio. Seu estranho. 
Fazia anos, parece, que não o via assim, de perto. E chocou-se ao não chocar-se com a falta de reação dele ao vê-la. Apenas acenou um sorriso educado que a rasgou. 
Sabor frio, como seus lábios macios. 

Agora ele era propriedade de outra. Aquela dos cabelos longos, que o amarrara com as pernas e as unhas. Ele fazia-lhe as vontades e por isso mesmo, não a via há tanto tempo.
Era uma parte de seu passado, passada para debaixo dos panos. - Doía a ela pensar. Mas já não tanto, pensava com pesar.
Trocaram amenidades e falaram sobre as casualidades. 
Onde ele estava agora, dizia, e sinalizava com as mãos longas. Seu dedo, antes vestido pela aliança de prata de ambos, agora trazia um anel de formatura e uma fina aliança dourada na mão direita, indicando que aproximava-se dele aquele futuro que ambos não teriam juntos.
Ela apertou as mãos brancas contra seus seios pequenos, em ato de involuntária angústia. Seus cabelos loiros caiam sobre seus ombros, ela viu, e estavam agora ressecados. A tristeza encrustara-se, permeou seu couro cabeludo e estendeu-se pelos fios. Ramos de tristeza pareciam proliferar-se de dentro para fora dela, saindo de seu peito e prolongando-se pelos braços, dedos, pés e cabelos. Como a árvore mais triste que já existiu.

Olhou para frente novamente. No olhar daquele, que amar(v)a, o castanho era frio. Ele a encarava, perguntando com polidez sobre o amor dela. Sobre o que ela tentava acreditar que o era.
Suas perguntas eram de praxe, como um velho conhecido. E ela desesperou-se por um momento procurando algum ímpeto por trás das perguntas casuais dele. Desesperou-se procurando um lugar comum. Encarou aqueles olhos procurando enfim alguma familiaridade naquelas faíscas castanho-claro que desbotavam as pupilas cor de café. 
Encarando-os, viu mais. Viu anos atrás, os olhos que entraram nos seus, enquanto ele entrara em si, na primeira noite de amor de ambos. Viu o olhar em chamas enquanto ele falava sobre amor pela primeira vez. Viu as lágrimas desbotando daquele castanho embargado quando ela magoava-lhe com as palavras mais cruéis escolhidas a dedo. Viu o ódio e a fúria daquele que se sente traído não por sua amada possuir um terceiro, mas por possuir algo ainda mais doloroso: O descaso.

Viu tudo isso em um flash de memórias ensurdecedor, contidas naqueles dois orbes castanhos, e quando voltou a si, um segundo depois, percebeu que a respiração estava presa e ela sem fôlego. E gelou, por um momento. Seus verdes olhos gelaram frios quando viu o gelo nos olhos dele. A ausência de tudo o que foi. É assim que se mata um amor, pensou ela. Com leves fatias gradativas e cítricas.

Passado mais um momento, aproximou-se Aquela. E ela A observou chegar, envolvida em seus próprios cabelos negros e ondulados, caindo-lhe pelas costas e seios. Com seu sorriso largo e sua vida, toda a sua vida. Com seu olhar perspicaz e seus olhos sorridentes.

Aquela a cumprimentou com a simpatia cruel de quem não te considera sequer uma rival, e colocou uma mão ao redor da cintura dele com uma intimidade que doeu ao ser assistida. A pele de ambos imediatamente se combinou como um astro e um planeta que giram nas órbitas um de outro.

Ela controlou um franzir de lábios de pura dor, e sorriu um sorriso seco como o vazio em seu peito.

Separaram-se com cumprimentos e ela viu o casal se distanciar.
O casal que ela podia ainda ser, mas não o era.

Porque não soube cuidar. Porque não soube amar.

Lençóis brancos sujos

"Distrações"
Me desculpe.
Preciso delas para não enlouquecer.
Acenderia um cigarro, mas nem isso. Tenho nojo do tabaco. Mas um vício agora cairia bem.
Quer dizer, mais um?
Preciso mexer com algo, então acendo a luz do abajur.
Me liberto dos lençóis brancos, com sua sensação irritante de maciez, e te olho.
Ao meu lado, um Adônis adormecido.
Encontro um prazer quase degustativo em vislumbrar teu corpo adormecido. Teu tórax magro e longo, iluminado pela luz fraca e amarelada do abajur. Estica-se sob o lençol amarrotado.
Tua boca vermelha e infantil entreaberta e o braço cobrindo parcialmente os olhos fechados.
Tenho um misto de fome e repulsa e fecho meus próprios olhos, buscando algum controle interior.
Ao abri-los, me deparo com teu quarto desorganizado de adolescente.
Vejo também meus braços estendidos sobre mim. São finos e pálidos, e algumas veias aparecem em sua porção interna.
Dentro desta carne, está contido tanto caos.
Sinto essa energia dilacerante e é difícil me conter.
Tenho ganas de gritar algo que não existe, porque a voz me parece muito repetitiva e superficial.
Tenho ganas de cuspir fogo.
Tenho tantas ganas, mas sem um destinatário são inócuas.
O inferno são os outros,
O inferno somos nós.
Tudo é o inferno.
Te olho novamente.
Tuas veias saltadas dos braços, tão pálidos que são quase transparentes.
Tu me passas a exata sensação da inocência, enquanto dorme e mais ainda enquanto está acordado.
Eu lamento e ao mesmo tempo sinto alívio.
O que seria de mim sem a tua inocência?
Sem a expectativa de sujá-la?
Vejo em ti uma tela em branco, tão branca quanto teus lençóis limpos.
E o que me deixa com as terminações nervosas acesas é a possibilidade de sujá-la de vermelho.
Ou será que não?
Faço um carinho com minhas mãos longas, em teu rosto adormecido.
Tu entreabre os olhos por um instante, e sorri um sorriso longo e revigorante. Um sorriso que apenas uma alma impecável poderia transmitir.
Aprecia meus carinhos fora de hora, alienado dos pensamentos que trazem em anexo.
Me presenteia com este doce sorriso e então volta a dormir.
Sorrio também, um tanto apologética.
Me desculpe, garoto.
Sei muito bem que isso não vai acabar bem.

Embuste (Ou "O mal dos anéis de saturno")

Um monte de coisas cujo significado você vai negar,
me fazendo escrever textos cujo significado não quero ouvir.
Enlouquecendo, tentando decifrar o que não existe.
Caindo em meus próprios embustes, nessas arapucas inconsequentes.
Tropeçando nas minhas próprias profecias.
Não, não me leve a mal. Apenas não me leve a lugar nenhum.
É só um desespero um tanto familiar fazendo uma breve visita, criando tornados no meu cerebelo.
Não, não escute essas bobagens. Esses anéis de saturno.
Nem curto tanto esta fundição, nem curto derreter o ouro e transformá-lo em outro, apenas...
As imagens são um pouco torturantes, você sabe? Elas são o pior.
São fruto da imaginação - A mais hábil estranguladora que já se viu nestas terras.
Ela coloca os dedos por dentre meus cabelos, começando esse carinho viciante, que está cortando minha nuca aos poucos, serrando a espinha dorsal da minha tranquilidade,
Para enfim adentrar na minha medula,
No método antiterapêutico mais invasivo que já foi visto.
E quebrar-me aos poucos.
Quebrar meus ossinhos,
Fazer com eles uma sopa de letrinhas,
Que escrevem teu nome,
já não tão acalentador como antes.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Por hoje não escreverei palavras sombrias

-Está aqui, tome. Isto é tudo.
Ela entregou-lhe. Entregou-se.
E pensar que dissera uma vez,
"You don't want the truth, the truth is boring."
Mas a verdade era tudo que tinha agora,
e pela primeira vez quis entregar-lhe a alguém.

Desnudou-se de suas máscaras,
De suas palavras.
De seus textos,
De seus medos.

Desnudou-se do cimento e da argila que moldara ao redor de si mesma pelos anos.

"Tome, isto é seu."

E ao fazê-lo - mal sabia que podia, de tanto que isto estava distante, não achava que existia - sentiu-se livre. Suas palavras correspondiam a seus atos, suas expressões a suas sensações. Suas vontades eram praticadas em liberdade. E ela toda era um tornado de emoções.

Ele recebeu isto com um sorriso, e ela viu a alma dele naquela curva labial.

Ele recebeu e abraçou tudo que ela tinha,

Ele entregou-lhe, como era de praxe da sua alma pura, tudo o que possuía.

Eles andaram em uma linha tênue, não sabiam por quanto tempo. Equilibravam-se na corda bamba, de mãos dadas e com sorrisos.

Mas nada disso era um problema, porque em silêncio ambos falaram:

"Com você, eu pulo nesse precipício."

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ressaca

Um escape.
Preciso de uma porta, um lugar de cor diferente.

Desta curva perfeita entre teu pescoço e ombro,
Com um cheiro que se assemelha ao café em familiaridade e naquela doce aptidão de pôr água na boca.

Olho ao redor: Tenho tudo ao meu alcance, mas nada me agrada. Vejo tanta gente, aposto que são interessantes. Lugares a ir, coisas a fazer, mas nada me agrada. Como uma criança mimada, só tenho um objeto de desejo. Uma ânsia contínua.

Fecho os olhos, em um lugar público. Devo parecer plácida, mas por dentro estou um caos. Repasso mentalmente teus cantos, tuas vértices, os ângulos da tua boca, tua pele.

Tudo em mim se mexe em um turbilhão disforme de lembranças de você.

Com meu olhar impávido, encaro um interlocutor aleatório. Nos detalhes de seus dedos, me lembro dos teus, que tanto adoro.

Você: Meu desejo, meu único beijo, meu pretexto, a tinta de meu texto...

Ponho as mãos na cabeça, atordoada.

-Está com dor de cabeça?

Estou com a cabeça na dor, penso. Paixão é dor, estrangulamento, falta de serenidade. De ar, de paz.

Para mim, ao menos, que não sei ser saudável.

Gole de ti

Queria um cheirinho no teu cangote e um café com lascas de canela. Queria um gostinho da tua pele e o cheiro do café subindo pela manhã. Queria aquele gosto amargando a língua e o gosto do teu suor salgado. Afundar meu rosto em teu pescoço, enquanto a fumaça do café sobe e me envolve, Com meus dedos que tocariam aquela xícara, traçar caminhos na tua pele macia, E com meus lábios que encostam na xícara quentinha, tocar teus lábios vermelhos e tão apetitosos.