sexta-feira, 22 de agosto de 2014

História de uma obsessão (Ou De uma personalidade Obsessiva)

Tanta coisa a aprender. Tanta coisa a entender...
Obsessão.
Minha mente é doente, isto não me é novidade.
Meus dentes mastigam a carne dos sentimentos alheios, alimentando uma fome incontrolável, que nunca cessa.
Eu acordei hoje e o sol me chamou para dançar sob sua luz, em um palco completamente deserto.
Estou em autocombustão...
E não sei que máscara devo usar.

Tenho muitas de mim em meu corpo e elas frequentemente dialogam.
Não pense que eu minto. Não, não, te dou o presente óbvio de nunca fingir-me à ti. Apenas mudo de ideia tão rapidamente...

Nosso sangue... Você não repara nisso? Nosso sangue está correndo a 220km/s o tempo todo, a todos os tempos e em todas as conjugações. Nossa matéria se renova, se reproduz, se purifica. Cada segundo é um novo acordar em nós mesmos, é um bando de água gelada no dia mais frio do mês março.

E aí, no meio dessa furiosa maldade, dessa curiosa natureza,
A obsessão...

Ela consome os pensamentos.
É uma pulsão, segundo a professora de psicologia.
Uma necessidade física, uma fixação psíquica.
Um desejo. Um instinto fabricado por nossa problemática psiquê.
Uma escolha.
(Mas não terei eu misturado todos os conceitos?)

Almejar tuas mãos, dedos longos. Pernas esguias esticando-se sob os jeans, teus braços pálidos de sangue salpicado, com a pele se esticando sob os músculos.
Uma visão tão atrativa, tão degustativa são seus ossos formatando-se sob os cotovelos e clavícula... Teus olhos loucos.
Arrepiar ante o pensamento de tua boca vermelha e tuas costas largas. Tua cintura lânguida e tua pele alva.

Desculpe-me senhor. Não, eu não o conheço.
És apenas um objeto.
Não me leve a mal, leve ao pé da letra.
Minhas intenções construo sozinha. Seria um autoincesto?
Jogo sobre ti minha fixação órfã de causalidade...
Deslocando impulsos sabe-se lá de onde oriundos.
Vendo nos padrões de teus poros uma pintura surreal, atrativa e luminosa.
Isso alimenta meus nervos quando estou longe de ti. - The longing.
Alimenta-me ao tempo em que me deixa refém.
Minha quimera me toma em suas garras, e em um adorável causo de Síndrome de Estocolmo,
Almejo por ti.

Quando me aproximo, porém, quando tu me sorris...
Quando pega em meu braço, derrama palavras, anseia ante meu olhar...
Quando vê-me tão cândida, me admira tão iludido. Tua frieza reformulando-se em admiração...
Minha expressão transfigura-se em tédio.
Meu sorriso polido traz algo de sinistro, isso eu sei - Você não seria o primeiro ou décimo a me dizer.
Meus olhos baixam, com a típica ausência de brilho,
E em nada me comove teu esforço.

Me impaciento em meus sapatos, querendo me distanciar de você, assassino do meu desejo.
Com licença, importa-se em parar de sujar meu objeto, com sua indigestível humanidade?

Ando então para longe, para as ruas de meus demônios, nas avenidas de minhas mal-resolvidas e indigestas fixações...
Lá, sozinha em silêncio, e por alguns momentos sem figuras ilustrativas, ponho as mãos nos bolsos e saboreio o gosto do ar.
O gosto deste ar verossímil e pelo menos por segundos, carregado da tranquilidade real do vazio.
E então a verdade, brutalmente polida com a indiferença do universo sobre nossas sensações: Tudo é transitório.
Eu, você,
Essa vontade louca de pele encostar em pele,
A curiosidade,
E até o esquecimento, arrisco dizer.

Mas então, deixo ir a racionalização,
Esta sempre bem-vinda estraga prazeres.
E me deixo ancorar por uma nova fixação...

Volto a andar, um meio-riso conformado no rosto.
Que caminho amargo este que eu escolhi.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Ossos do precipício

Memórias
Desvanescem.
Escorrendo como areia,
em uma ampulheta cansada.
Exaustas,
Idosas.
Sem muita força para continuar.
Confundem-se prazos, cores, fatores...
E as benditas circunstâncias.
Torna-se tudo...
Irreal.

Vejo um texto antigo,
e é só aí que
Me lembro de ter esquecido,
Que esquisito.
Não é que tenha querido.
Foi só um lapso,
Relapso tempo,
Apto a devorar,
Sem o menor lamento.

Tragando pessoas
Me perdendo em enigmas
E chutando quebra-cabeças montados.
Desde sempre...
Ossos do precipício.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Estes arroubos

Estes arroubos me dominam vez ou outra
Penso em ligar-te, mandar uma mensagem. Algum sinal de que não sou tão indiferente quanto te fiz acreditar.
Manter um contato, te escutar em algo,
por mais repetitivo que seja.
Me pego ouvindo as músicas e desesperadamente pensando em você.
Engraçado.
Por vezes já fui totalmente insensível a qualquer estímulo seu.
Te beijando com volúpia apenas para me divertir às suas custas.
É incrível o que o tédio nos impulsiona a fazer.

Mas os sonhos, vez por outra...
Os sonhos me provocam arroubous.
E me provocam a memória do teu corpo.
Da tua pele pálida esticada sobre seus ossos,
Seus braços finos de mãos fantasmagóricas,
Sua risada alta, jogando a cabeça para trás.

Ah, estes arroubos.

Fazendo-me desejar-te.
Temo ter que te devorar, te matar em mim.
Temo não ser capaz de fugir do fantasma da sua presença atrás de mim.
Da sua sombra,
em uma projeção infinita em prospecção.

Acompanhando-me,
Alternando indiferença e arroubos,
estes arroubos...

Nos levam a querer o que nos faz mal,
nos desafiam a contrariar nossa razão
e as circunstâncias
e a lógica,
e ao mesmo tempo, de algum modo,
fazem sentido.

Porque são as coisas incontroláveis
são as coisas incontroláveis
são as coisas incontroláveis
Que nos dominam.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

"Tell me, what are you going to do with your one and extraordinary life?"

I'll write you only unseen sweet words.
In a foreign language, as foreign as your smiling eyes.
It's raining now.
Delightful.
Almost as delightful as an unexpected, strange and extraordinary love.
It's raining as i go out the house.
Tossing rocks at my way down the street.
Staring the gray walls, reading old prescriptions.
I fall down in old sensations. My body recognize the change.
I remember what that could have been.
"Maybe in another life".
And i long for it.
Letting words slip out of my fingers...
Same fingers i cross, as i long for it.
I wait for it,
And daydream about it.
It's fresh and new, this life, today.
Feelings come suiting me as a brand new clothe, but yet, very familiar.
All the dirt, and regrets, and the pain, and the curse... All fade away, being washed by the unexpected rain.

Somewhere - somehow i know - you'll be watching the rain too.
In a cold distant middle of nowhere.
Enchanting the world around with your amazing, amazing laugh.
Indescribable in words.
A laugh which sound looks like the rain.
Calms you down, makes you smile.
Gives you energy, never take it.
It's like the sun. A rainy sun, a hot cappuccino, a fragile hope, a dream... Like all the subtle rainy things, crossing your way, making you smile, like feathers.

Like surprises,
filling your heart.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

...

I feel empty
For all the things that are here no more
For all the things i wish that were
For all that is,
For all that isn't.
For my unreasonable actions and my even more unreasonable omissions.
For my daily struggles and for the fights i choose not to fight.
For my tired emotions and for my insistent wishes
For everything that seems wrong,
Unfitting.
On reality, on possibility, on happiness.
For all that is,
That isn't what i want.