quarta-feira, 18 de setembro de 2013

tudounada

Todo nada
era um monte de tudo
que encontrou um escudo
que não encontrou espelho.

Esse nada,
há pouquíssimos minutos
era um monte de tudo
era um monte de beijo.

Era um apelo
escondido no escuro
pedindo um pedaço de pão
um pedaço de zelo.

Procurando
nuns olhos nus, uma crueza
uma certa beleza
de quem dá amor mesmo.

Esse nada
é um monte de mágoa
é lágrima de fada
perante a violência de quem cala.

Eu podia falar muito sobre o pouco
sobre o claro do luto
mas me ausento agora
de nadar sobre o tudo.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Coisas estranhas que eu encontrei no meu caderno do 4º semestre pt.I


Muitas vezes um ato de coragem é só um ato de burrice.

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Estive procurando desde muito  cedo uma exceção bonita à regra absurda.
(Anjo, o que aconteceu com suas asas?)
Mas não existe, culpo a utopia. Mesmo falando tudo isso... uma sociopata erudita.
Jogando palavras com vidas.
Dê-me um crédito, dê-me um desconto.
Minha loucura é contida em conto.
O que procura é o consenso de um acordo. A insanidade consentida.
O cerne da resposta é que me faltam alguns elementos essenciais à validade: Os escrúpulos, a sutil consciência de realidade. A Delicadeza de não se machucar.
Mas não sana. É insana esta lepra emocional. Jogando-se contra arames, coisa e tal.
No mais primitivo clichê de busca de sensibilidade.
É inverso, porém. (É verdade, é mentira) É a sensibilidade em demasia que te torna catatônica e  fria. O ceticismo absurdo que denota poesia. Andar no fim da linha e se sentir bem no começo. Juro por Deus, não estou protelando: Uma mente perturbada nunca sabe por onde seguir. Uma tempestade constante sente constância em cair. E um coração selvagem sequer sabe o que sentir.
"Está quente ou frio aqui, amigo?"
É a total incoerência das percepções múltiplas.
Seu coração está batendo forte?
Muitas vezes um ato de coragem é só um ato de burrice.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

"Tem alguém aí me ouvindo" - perguntei para dentro de mim.

Não, eu não quero escrever. Estou com medo, sabe? Tem coisas estranhas vivendo dentro de mim, numa casinha. Não deu tempo dizer as palavras, elas pularam fora, se vomitaram. Eu queria pureza, pureza numa mente perturbada, numa realidade doente. Todo passarinho que me mostra beleza, me mostra na sua beleza a feiura do mundo. Toda criança inocente que vejo na rua a brincar com seu irmãozinho me mostra em sua pureza o contraste com a realidade. Coisas felizes não me deixam mais feliz. Coisas bonitas me fazem ficar triste e me comovem, porque é trágico ver pontinhos de beleza dentro de um mundo feio, de maldade, de gente cruel, de ausência de generosidade.
Generosidade é sabedoria. Não tem doutrina, eu soube, não tem inteligência, livro, filosofia que traduza o modo certo. (Certo?) de ser viver, estar. Generosidade é aquele pontinho pequeno, branco ou preto qualquer cor, um pontinho tímido, quase inexistente, esquecido com certeza, precisando de alimentação para crescer, dentro da gente. A generosidade tudo entende, tudo aceita. Seria o amor, em um conceito real de amor, onde amor é um sentimento universal (eu sempre disse isso) e não direcionado. É tão raro amor. Amor não é bem isso que a gente sente pelos nossos pais ou que eu sinto pelo meu menino, não, acho que é diferente. Acho que amor, se alguém é (e algumas pessoas devem ser) capaz de sentir, quando se tem, é por tudo, por todos. "Amor de Deus". Que ele tem, segundo dizem as pessoas. Um amor sem restrições, um estado de espírito, alma, eu não sei bem que nome se dá. Mas algo assim, capaz de salvar o mundo. Eu não acredito em nada, mas nisso eu acredito. Nesse sentimento. É minha corda de salvação essa crença, mesmo que eu não consiga sentir isso delineado em mim. Mas é minha corda de salvação contra o meu próprio mundo em mim, que não consegue ver beleza, que ficou sombrio, que perdeu a infância e a juventude. Não sou ingênua como as crianças, não sou leve como os jovens e não sou sábia como os idosos. Sou uma adulta? Não, não é bem isso. Só estou um pouco triste.