terça-feira, 14 de maio de 2013

In: Passe


A cigana e o coringa
Acertaram uma jogatina
O coringa embaralhou
Ágil como criança malina
O baralho de tarô
Da cigana misturou
Com os risos do traquina
"Não gostei das minhas cartas.
Não, para mim não tem graça.
Desse jeito, vou ter que virar o jogo.
Fazer das cartas, navalhas:
Especialidade da casa."

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Breve


As nuvens estavam baixas, o céu branco. Algum pingo de água ainda tocava o asfalto e por um momento foi possível sentir-se em casa.
Olhava para aquelas ruas familiares com uma expressão séria há muito tatuada no seu rosto.
Um ritmo antigo dançava em seus ouvidos.
Uma lembrança infantil correu-lhe entre os dedos, onde dançava uma moeda velha como distração.
Ouviu o silêncio, a medida do vento, o cheiro do chão. Parecia simples. Os estranhos ao seu redor, um canal desconhecido. Sua vida escondida de si, em uma garrafa jogada no mar. Onde estava?
Um livro, uma dança, uma piada sem graça. Fragmentos se espalhavam por aquele vento fora de época, como pétalas murchas estraçalhadas. Tinha um caminho a fazer, alguns prazos a cumprir, uns objetivos a realizar. Isso lhe tomava a mente, por enquanto. Mas vezenquando...