quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Weltschmerz


Caindo aos pedaços. Lentamente caindo aos pedaços. Como uma pena ou uma nuvem, se dissolvendo no céu, no reflexo do mar, numa rajada de ar. Uma árvore velha, aos poucos envergando o tronco ou simplesmente o tempo, o temido tempo, diluindo os anos. A morte, ela acontece centenas de vezes todos os dias, durante uma vida. Umas doem mais que as outras, geralmente as que ficam te encarando, morrendo e andando, morrendo e andando. Caindo aos pedaços, já sinto as rugas que ainda não tenho no rosto. O sabor de um beijo cada vez tem mais gosto de desgosto. E os pedaços de tudo que me cerca, como um quebra cabeça cadente, e os passos de todos da minha cela; Cada vez mais fracos e inaudíveis.
Vejo meus heróis caindo, diariamente. Vejo toda a dor do mundo invadindo minha mente. Fazendo de mim emocionalmente inutilizável, espiritualmente demente. Me torno um belo copo de cristal quebrado, preciso de ar urgentemente.
Caindo aos pedaços, eu não sei morrer. Por que é preciso a morte para se poder renascer? Por que lembranças velhas têm que dar espaço a novas andanças? Porque o universo não pode somente sempre se expandir: Passado, presente e futuro numa caótica dança?
Não quero morrer, mas é muito difícil viver. Então vou levando, eu e toda a dor do mundo que em nada me pertence... Mas que sentimento imundo, mas que dor indecente. Que desejo egoísta de tudo, quando já tenho tanto à minha vista. É verdade, Freud, sou uma psicótica idealista. Minha psicose é a ânsia pelo que nunca virá, a incapacidade de encontrar meu lugar, a doença insuportável de pelo doce, completo, pacífico, natural, coletivo, eterno e banal ansiar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

The ugly truth


Não te amo.
Amo pedaço extirpado de mim.
Que pensei ser-te
Como eu pude te enganar assim?

E ainda crerdes
Nesta ilusão de autoria minha,
O amor deveras
É uma canção fúnebre de violino

E minhas quimeras
Vão acompanhar-te para não dormir sozinho
Como janelas
Para um passado que nunca existiu.

Portanto, liberta-te.
Dou-te minha carta de alforria
Vais procurar-te
Nas curvas do espelho, e não mais nas minhas.