sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ciranda da meia noite

Baseado na música "Every Single Night" de Fiona Apple. - Para quem quiser acompanhar.

Pedacinhos de luz extrapolam da minha mente
Borboletas azuis te circudam, serpentes.
Momentinhos seduzem, com uma reverência, ao revés
E assim te convido para um passeio no meu convés.
Toda santa noite, te chamo aos pouquinhos.
Mas você dorme, não me vê. Se embala sozinho.
Passeio pela sua cama, frustrada. Toco uma flauta ou um sabiá.
Danço uma dancinha, uma coreografia, qualquer coisa para te agradar.
Toda santa noite, vagalumes meus te visitam.
Eles puxam sua blusa, tentam te convencer.
Mas você olha o relógio, um telefonema, tanta coisa a fazer...
E todo santo dia, eu te visito à noite.
Sento na sala de jantar. Se não tiver ninguém perto, tomo até um chá.
Pedacinhos de coração fazem uma trilha para seu jardim.
Mas você passa direto, por que tem que ser tão frio assim?
Toda meia noite eu faço uma ciranda no seu quintal.
Danço ao redor do seu quarto, coberta de luzes de cristal.
Mas você só se remexe no sono, não escuta o meu sinal.
Toda santa noite pedacinhos de mim brilham ao seu redor,
te pegam pela mão, te puxam em vão, nadam no seu suor.
Tentam te trazer para perto de mim.
Anoitecem sozinhos e tristes, deitados na cômoda ao te ver dormir.

Esta é uma confusão que só existe em minha cabeça

Você é este labirinto cheio de medos e mentiras
Caminhos de precipício, velhas modas, tortas linhas.
Eu me pergunto o que o espelho te mostra quando está sozinha
A aposta da próxima vez, arte retórica de gueixa antiga
E se não te satisfaz o sangue que suga, por que o faz?
Só de sugar, vulgarizar: Tua própria rotina, raro efeito de ar.
Então perde-se em desconexas tentativas vãs de uma arte mestra.
Articulando com a própria mão, a manobra mais diabética.
Porém vomita todo essa açúcar. Não lhe é natural e não vê a lacuna.
Cai como folha seca, sem compreender a origem da ventania,
E com estes olhos cristalizados pelos mais vulgares laços, como poderia?
Me poupe de sua condescência, suas palavras falhas de eloquência;
Não tem mais fim nenhum para meus maus meios justificar.
E se não te agradam meus métodos, mais pragmáticos que dialéticos...
Até mais, Sabiá. Vai pra lá, vou pra lá...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ponto cego

Você tem uma casa, mesmo que vazia, para voltar
E todos esses corações no caminho foram estações e não destinos
E todas essas despedidas fazem parte da receita
E não há nada tão encantador quanto uma causa perdida
Mas até onde vale a pena desperdiçar sentimentos?

Já foram tantos aeroportos e cemitérios que você perdeu a conta
E essa reformulação eterna parece levá-lo a canto nenhum
E o que fazer quando essa visão no espelho te faz tremer?
E esses rostos que passam por você não parecem te dar a resposta
E a coragem e o coração cada vez estranham-se mais

Mas esse sol continua nascendo e continuará esteja você aqui ou não
Então inspire fundo, o mais fundo possível
Até sugar essa essência inalcançável, esse espírito invisível
E essa força você tem que tirar de si mesmo
E as despedidas devem ser enterradas assim como seus mortos

Vamos lá,
em frente.

Suas palavras vazias cumprindo papel de vidas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

(50)

(1)Cinquenta receitas que não deram certo
(2)Cinquenta chaves que eu poderia te dar
(3)Nem eu compreendo o motivo disso
(2)Para abrir este cofre, para me desvendar

(1)Memórias certeiras me olham do teto
(2)Em linguagem clara, o que se lê no olhar
(3)Por isso te respondo através de artifícios
(2)Mas será, meu bem, que você vai procurar?

(1)Palavras ambíguas de metro em metro
(3)Espero que complete meu texto omisso
(1)E mesmo assim não o tenho por perto
(3)Terá meu poema sido preciso?