domingo, 16 de outubro de 2011

"A vida é eterna em 5 minutos", pílula vermelha e afins. (Ou, fluxograma sobre o tempo, extremamente divagante.)

(Esse é outro daqueles, quase gigante demais para ser postado. Dou um doce para quem ler até o fim.)



Tempo: Esse é um daqueles assuntos nos quais eu temo um pouquinho ingressar. É muito mais fácil viver na superficialidade, mas já faz um tempinho que decidi tentar tomar a pílula vermelha, então vamos lá.
Falando em pílula vermelha, - e deixe-me fazer uma divagação antes de entrar no assunto da postagem - é muito difícil isso. É como tentar fincar os pés no chão em meio a uma ventania, é tentar ver através das cores opacas e na maior parte do tempo, se a gente não se mantém firme, acaba achando que é uma grande perda de tempo. E para ser bem sincera eu ando encontrando muita dificuldade nisso, porque é um objetivo que meio que requer a ajuda das  pessoas. É a velha história da dialética: Sozinha, eu não vou muito longe. Não tem como dialogar comigo mesma, por mais que uma pessoa, qualquer pessoa, tenha muito conhecimento, seu conhecimento chega a um limite e por mais que choques de informação possam fazer brotar nova informação, a menos que haja interação com o que se origina  da fonte de OUTRA mente, você será eternamente uma criatura limitada. E taí minha dificuldade. 

Mas pulando essa conversa toda que já é de outra postagem e já tá me parecendo fiada, eu queria falar e se alguém tiver algo a acrescentar, eu queria ouvir também sobre essa questão do tempo:

Minha razão fica eternamente oscilante  entre "Feche um mundo e abra o próximo" e "Nada nunca morre", e na verdade eu tenho pensado que a "resposta", se é que isso existe é uma intercessão sutil (como todas as intercessões) entre ambos. Um tempo desses enquanto eu tentava resolver a equação do tempo, eu cheguei a conclusão (imatura e mutável, como todas as em que eu chego, graças a Deus) de que só existe o passado e isso eu vou explicar o por quê de estar dizendo aqui: O presente, nós sabemos, é imensurável. Esse negócio de "segundos" é uma convenção matemática para fins organizacionais então vamos cortando logo essa medida pela raiz. É impossível essa história de sentir o presente porque na verdade, se pensar bem, a partir do momento em que você nasce, só vai acontecendo uma série de coisas no passado na sua vida. A partir do momento em que algo acontece contigo, já tá no passado. E todos os prazeres que se sente, segundo eu tenho constatado, por mais que sejam imediatos são de coisas que ocorreram segundos atrás, no mínimo. Ou milésimos, sei lá. Até porque a nossa mente precisa traduzir o que acontece para que a razão nos permita sentir ou não prazer com isso. Só é prazer (ou dor) a partir do momento em que já aconteceu e teu cérebro traduz isso. O que te dá a sensação é a tradução, não a coisa. A mente precisa fazer isso: Entender se é bom ou não. Vem aí o mito do chocolate: Eu me pergunto, muitíssimas vezes se chocolate é mesmo bom. Tirando a historinha das endorfinas, eu tenho minhas dúvidas se o gosto, em si, é agradável. E aí já entra a história do que é culturalmente colocado nas nossas cabeças. É claro que todo mundo acha que chocolate é bom e às vezes é pelo fato de ter essa representação positiva na nossa cabeça que colocamos o chocolate na boca e nosso cérebro nos diz que é bom e sentimos prazer. Essa é só minha teoria. A questão que estou tentando demonstrar nesse exemplo, é que quando eu digo que só existe o passado, você poderia dizer: "Ah, mas e os sentidos? Você sente prazer e dor imediatamente, na sensação está se fazendo fato o presente, não é?". Bom, quanto à dor, nós já sabemos que é mais uma das armadilhas do nosso cérebro/sentidos e etc. Olha bem, vai me dizer que você nunca se cortou feio para passar um tempão para perceber que se cortou e só depois de perceber, sentir dor? Eu não digo que isso é absoluto, nada disso. Só quero demonstrar com esses dois exemplos prazer/dor pobrinhos que os sentidos não são tão sinceros quanto nós pensamos. Nada é. Sentimentos, sentidos, razão. E nem adianta colocar letrinhas e tentar fazer uma equação deles porque pelo menos eu não consigo visualizar uma amplitude matemática que seja incrível a ponto de abarcar tudo isso e chegar a um resultado.

Bom, daí voltamos à minha teoria de que só temos o passado "porque o presente é o passado passando e o futuro é uma conjectura  passada do que logo tornar-se-á ele", essa foi uma frase que disse mais ou menos desse jeito, no dia que eu tive esse insight - e que me pareceu fazer bem mais sentido no momento, afinal. 
Mas daí, meus caros, o problema é que essa ausência de medida real de tempo me deixa extremamente confusa. Eu vou dizer o que isso me faz sentir: Isso me faz sentir que cada momento (eu ia falando 'segundo', olha como as coisas são), cada momento X, momento TCHAN, sem uma medida de tempo, é uma eternidade que existe... para sempre. Entende? 

Olha, uma vez meu ex professor de filosofia disse a seguinte frase na sala "A vida é eterna em 5 minutos" e pediu para a gente analisar e dizer o que entendiamos dela. Isso faz um bocado de tempo e eu fiquei matutando um tempão até que cheguei a uma conclusão que não consegui colocar em palavras corretamente no dia e ainda hoje não consigo. Eu respondi a ele algo do tipo "Acredito que cada momento que existe, no momento que existe, passa a existir eternamente pelo simples fato de ter existido. Isso o torna eterno." - Essa ideia é a síntese do que eu coloquei aí encima em prolixas linhas. Daí o professor olhou para mim, riu e disse algo do tipo "Poético, mas não filosófico." - Eu não sei. Eu realmente não devo ter me expressado bem porque eu não tive a mínima intenção de ser poética e na verdade quando eu falei isso o que veio à minha cabeça foi um conceito mais físico do que de qualquer outra ordem. Ok, eu esperava não ter que fazer isso, mas acho que vou ter que revelar outra ideia minha que complementa isso e que certamente vai parecer viagem: Eu não sei nem entendo nem estudei nada sobre universos e dimensões paralelas, mas a simples falta de uma medida de tempo - e a impossibilidade de existência dessa devido ao simples caráter transitório do tempo me faz parecer lógico que a cada momento imensurável que existe, uma dimensão paralela é criada a partir dele. - Ok, antes de qualquer coisa, eu não estou alterada nem nada. Para me fazer mais clara eu teria que transportar você, leitor (provavelmente imaginário, porque duvido que alguém tenha resistido a essa altura da postagem), e te mostrar uma imagem que perfaz essa ideia porque palavras (como eu seeempre digo), mais uma vez são insuficientes. - Pronto, já sei: Você tem duas hipóteses: Ou há continuidade entre todos os eventos que existem ou não há. E ambas as hipóteses são inegáveis. Por que há continuidade? Porque nosso passado mais recente sempre é consequência do passado mais antigo. Porque tudo o que acontece é somente a sucessão LÓGICA de acontecimentos de acordo com o que já passou. Porque é isso que a gente chama de justiça natural, de lei da natureza, de "destino" até. Porque, meus caros, eu acredito que um matemático tão gênio que consiga utilizar sua capacidade de pensamento em 100% seria capaz de prever o "futuro". 
Isso porque todos os acontecimentos são variáveis. "Quer saber o que vai acontecer? Estude história." Tem uma frase mais ou menos assim, não é?
Olha, algumas pessoas me dizem que me acham perceptiva ou bem inteligente. É que eu tenho uma brincadeira com alguns amigos meus de dizer o que eles vão dizer antes deles dizerem num diálogo (só acerto algumas vezes, claro.). Mas eu não sou nem uma coisa nem outra e eu vou explicar o por quê disso: Eu entendi faz um tempo já que existe esse lance de matematizar as pessoas. E que todo mundo é como uma grande e complexa fórmula matemática que se divide em três níveis (segundo Freud.) Só que quando a gente tá no nível superficial e consciente, no meio de uma conversa, por exemplo, se você juntar os elementos da história recente daquela pessoa, com a personalidade aparente dela e o rumo que o diálogo está tomando torna-se inequívoco (em certas ocasiões) o que a pessoa vai te dizer a seguir. É só isso. 
Então, se eu que tenho uma capacidade mental mediana, um conhecimento limitado e uma percepção só "boa" consigo fazer isso (num nível extremamente superficial, lógico), imagine alguém  que estuda, sei lá, física quântica. Está entendendo o que eu quero dizer? 
Bom, de qualquer modo vamos voltar às duas hipóteses que nesse assunto aí da matematização a gente ingressa depois.
A segunda hipótese, de que não há continuidade, é consequência direta da primeira, por mais bizarro e mindfuck que isso possa parecer. A partir do ponto em que UM evento existe e repercute em outros eventos, esse UM evento é eterno em suas consequencias. Olha, nada jamais deixa de existir, jamais, porque nada passa em branco. Teoria  do Caos etc e tal, tu percebe que considerando que o universo, natureza, o que seja, é um equilíbrio entre tudo o que existe e não poderia ser diferente, qualquer diferença MÍNIMA vai ter a autonomia de interferir em todo o resto e por isso mesmo, em uma certa instância vai ser única, individual e fonte de uma outra dimensão própria. 
Então, o que acontece? Acontece que acho que no final das contas nada acaba, tudo se reinventa eternamente e esse negócio de "Fechar um mundo abrir o próximo" é extremamente relativo, porque, afinal, quem disse que o próximo mundo vai estar desvinculado do anterior? Se fosse assim, seria inviável, senão...Não haveria tempo, de fato - E eu não sei dizer se há mesmo ou não. Haveria só presentes, eternos, jamais passado. Jamais conjectura de futuro. Jamais história.

Bom, acho que eu vou ficando por aqui mesmo. Essa postagem deve ser a maior que eu já fiz e provavelmente a mais incoerente. Se eu não fosse tão preguiçosa e acomodada, seria fantástico estudar matemática, física, ciência e religião para conseguir dar um embasamento para todas essas minhas teorias meramente intuitivas e abertas e incompletas, como toda teoria deve ser. E isso porque não citei todas as outras ciências, porque não sei se já disse isso, mas acredito piamente que a ciência, de fato, é uma só e UNA. Mas deixemos esse assunto para outra postagem, porque já é uma outra história.
Só sei que no final das contas, por mais que eu divague, no final sempre fico com essa impressão de total incompletude de ideias. E aceitando alegremente companhia para realizar uma boa dialética (: 


Um beijo no olho e uma tulipa violeta para o leitor hipotético que terminou este post.


Bye.  

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"Por favor, não me venha com esse olhar de amor."

-Não, pare com isso. Tudo menos esses olhos.
Não me olhe com esses olhos assustadores. Não me olhe assim tão docemente.
Não faça menção de dizer aquela frase. Não respire ofegantemente só porque encostei minha boca na sua.
Por favor, não... Não enquanto meu coração é manchado.
Não enquanto fui eu quem plantei essa armadilha. Mas vê-lo cair tão absolutamente nela... Eu não tenho estômago para isso.