terça-feira, 20 de setembro de 2011

Meet me on the equinox



A primeira estrela despontou no extremo nórdico. Extremo sórdido.
Uma estrela apontou no extremo oriente. Apontou sua rota, extremamente quente. 
Golpes de luz, prismas de energia. A aurora boreal as envolveu; Véu de densa magia.
Talvez elas se encontrem.
Talvez no cair da noite da mais noturna das ruas elas se cruzem.
Talvez se vejam nuas. De preconceito e sujeira lunar estejam cruas.
Duas estrelas despontaram no inócuo infinito.
Será que elas se encontrarão
ou serão apenas delírio lírico?

domingo, 18 de setembro de 2011

Pequenos suicídios aleatórios

Justifique meus meios cruéis
por suas adoráveis finalidades
Do fogo ao fogo, uma ave de rapina
Beija-me no epitáfio da redenção
Me dê teu vinho, não me interessa o pão;
Nos embebeda com o amargo de teu açúcar
e derrama lágrimas de graxa, untadas com música.
Brindemos o veneno que jamais tomamos
Encarando o abismo que jamais escalamos
E daí faz-se fantasia, vivamos nessa maestra poesia:
A arte de criar.
(Onde tudo deu certo
e o amor foi um feto
que soubemos procriar)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Íntimo

Ainda ando pelas mesmas ruas de casas coloridas todo fim de manhã,
ainda escuto Bach em La menor em alguns dias chuvosos.
Sei que os caminhos não se cruzam depois de certo ponto 
e não importa o que diga, as gestalts, sim, meu caro, se fecham.
Mas eu não lido bem com mortes de gênero nenhum, muito menos com as minhas
Tenho medo dessa cidade, ovo dilatando em expansão negativa.
Tenho medo das loucuras delicadas e cada vez mais sui generis que vejo pelas pessoas dessa vida.
Estou cansada numa proporção ilógica ao meu coração e ao meu tempo de existência.
Estou exausta de resistir numa ferrenha batalha automática chamada desistência.
Ainda vejo o coelho na lua e fico esperando o sol nascer.
Ainda me arrepio ao passar pela tua rua e confundo transeuntes com você.
Ainda sorrio por piadas bobas e gosto de olhar nos olhos das pessoas;
E passo pela biblioteca Municipal toda tarde e fico tensa quando o sino das seis horas soa.
Ainda penso em futuros impossíveis toda hora de dormir.
Ainda amo as pessoas sem motivo nenhum e isso acaba comigo.
Ainda penso em você,
e te desejo todo o amor dessa vida.
Sou um caso perdido.